25 · Direção de imagem

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25 · Direção de Imagem

Fontes: brand/guidelines/19-identidade-visual.md §19.5, §19.6, §19.8 · brand/guidelines/20-moodboards.md §20.1, §20.2.4, §20.2.6, §20.3 · brand/guidelines/22-paleta-de-cores.md §22.1, §22.5 · brand/guidelines/11-virtudes-da-marca.md §11.3, §11.4 · brand/guidelines/08-buyer-persona.md §8.2, §8.4.1 · brand/guidelines/13-brand-persona.md §13.3 · brand/guidelines/01-essencia.md §1.4 · brand/guidelines/research/auditoria-mercado.md §3.2 · MANIFESTO.md §2, §8 · .claude/ui-design/visual-language.md §3.

Este capítulo responde que imagem traduz o Peppe — fotografia e ilustração: o que mostrar, como enquadrar, como tratar a cor. Fecha o último pilar visual que o capítulo 19 deixou em aberto (19-identidade-visual.md §19.6, §19.8).


Uma ressalva de partida — aqui o corpus é página quase em branco

Os capítulos visuais anteriores — 21 (símbolos), 22 (paleta), e o 19 que os governa — abrem todos com a mesma ressalva: a identidade não é página em branco, ela já está em produção. Este capítulo abre com o oposto.

O capítulo 19 foi explícito (19-identidade-visual.md §19.6): "o repositório não contém uma direção de fotografia"; a direção de imagem é "o único pilar visual sem régua vigente", e o "buraco aberto" no teste de força proprietária (§19.8). O Product Owner confirmou: não há, hoje, direcionamento aprofundado sobre referências de imagem ou de ilustração. Logo, este capítulo é majoritariamente PROPOSTA. Ele é um primeiro passo — uma fundação proposta, não a consolidação de uma decisão tomada.

Primeiro passo não é improviso. A direção abaixo não inventa do nada — ela deriva, com rastreabilidade, de quatro fontes que o corpus já fechou:

  • os atributos e virtudes da marca (11-virtudes-da-marca.md) — uma imagem é uma decisão de caráter como qualquer outra;
  • o moodboard (20-moodboards.md §20.2.4 Estilo de imagem e §20.2.6 Metáforas visuais) — que já auditou ~118 referências e nomeou o que serve;
  • a proposta de fotografia já aberta em 19-identidade-visual.md §19.6 — este capítulo a detalha, conforme o 19 delegou;
  • o briefing de imagem da persona (08-buyer-persona.md §8.4.1) e a gramática V-A/V-B (MANIFESTO.md §2).

Onde a derivação para e começaria o palpite, o capítulo para também — e a pendência vai para o fechamento.

Duas coisas que este capítulo deliberadamente não faz. (1) Não inventa a forma visual do personagem Peppe: o Peppe tem voz, não tem rosto, e a figura virá por um ilustrador contratado, num exercício próprio e futuro (13-brand-persona.md §13.3"o personagem é nosso; a inspiração nos deu o espírito, não o rosto"). Direção de imagem não cria mascote por antecipação. (2) Não autoriza fotografia a ir ao ar: enquanto esta direção não for ratificada, vale a régua do 19 — fotografia não é superfície de marca vigente.


25.1 — Fuga do genérico

Método, pilar 1. Ir além do banco de imagens: que clichês a categoria comete, e que virtudes a imagem precisa transmitir.

O pecado da categoria

O método pede o clichê a evitar — o "advogados apertando as mãos" do segmento. O corpus já nomeou o pecado-padrão, e ele é mais fundo que um clichê de pose: a auditoria-mercado.md §3.2 registra "marketing aspiracional acima da execução" como o vício do segmento — a landing promete uma vida resolvida que os reviews do produto contestam.

Esse é o veneno que a imagem do Peppe precisa recusar. E recusá-lo é uma questão de marca, não de gosto: o atributo central Honesto (11-virtudes-da-marca.md §11.1) veta, por construção, a foto que vende uma fantasia. A imagem do Peppe mostra a vida real do Acumulador de Jornadas — competente e sobrecarregada — não a fantasia dela (19-identidade-visual.md §19.6).

Os dois clichês — e os dois são erro

A categoria mente em duas direções, e a imagem do Peppe cai fora das duas.

  • O clichê da vida resolvida. O profissional sorridente, a luz dourada de coworking, a família feliz à mesa fazendo as contas, o polegar para cima. Vende o destino como se já fosse o presente. É a impostura (11-virtudes-da-marca.md §11.3) — promete o que não entrega.
  • O clichê do caos caricato. A pessoa com a cabeça entre as mãos, a mesa soterrada de papéis, o despertador como bomba-relógio, a expressão de pânico. Vende a dor como espetáculo. É igualmente desonesto: o Peppe assume o caos como ponto de partida, não como falha do usuário a ser ridicularizada (01-essencia.md §1.3). Caricaturar a sobrecarga é julgar quem a carrega.

A imagem certa fica no meio: competência sob carga — alguém apresentável, no controle da própria fachada, num intervalo curto entre frentes; "não uma caricatura de pessoa atarantada nem uma foto de banco de imagens 'executiva feliz'" (08-buyer-persona.md §8.4.1, briefing literal da persona).

O catálogo do que fica fora

A lista dura — clichês visuais que a imagem do Peppe não usa, nenhum deles:

  • A IA como cérebro/robô — circuito brilhante, rede neural azul, andróide, holograma. É a "máquina" que o Peppe recusa em favor da "mão" (01-essencia.md §1.4); pintar o Peppe como máquina onisciente contraria a ideia de marca inteira.
  • O dashboard como herói — o laptop com gráfico e seta verde para cima, a tela do app flutuando. O herói é o usuário, não a interface (ver §25.2).
  • O mockup teatral — cards de UI flutuando sobre uma mão, glassmorphism, notificação pairando no ar. É a sobreposição teatral de camadas que a gramática proíbe (MANIFESTO.md §2.4"painel único e sólido").
  • A metáfora financeira de almanaque — cofrinho, pilha de moedas, porquinho, calendário com data circulada em vermelho. Literal e gasto.
  • O abstrato genérico de tecnologiablob gradiente, formas 3D coloridas, iridescência prismática. O moodboard já marcou os três como anti-padrão direto (20-moodboards.md §20.2.4, Flag).
  • O retrato de stock óbvio — a pessoa branca de camisa social rindo sozinha para o celular, luz de estúdio chapada, fundo desfocado de escritório.

As virtudes que a imagem precisa transmitir

O método pergunta quais virtudes a imagem carrega. As quatro virtudes da marca (11-virtudes-da-marca.md §11.4) traduzem-se, cada uma, numa regra de imagem:

VirtudeA imagem que a respeita
HonestidadeMostra a vida como ela é — luz natural, gesto real, sem retoque que fabrique uma realidade. Anti-aspiracional por contrato.
PrudênciaCalma, nunca alarme. A imagem não fabrica urgência (sem vermelho de pânico, sem relógio-bomba) — espelha a projeção que "tranquiliza, não assusta".
TemperançaEnquadramento contido, sem dramatização. A imagem fala a medida exata — nem teatral, nem fria.
LealdadeA imagem fica ao lado, à altura dos olhos — a presença do escudeiro, não o olhar de cima de quem julga.

E os três atributos centrais: Honesto (a recusa do aspiracional), Antecipatório (a imagem do alívio que chega a tempo, não do desastre consumado), Acolhedor (a temperatura quente, o off-white que recebe — nunca o branco clínico do dashboard financeiro).


25.2 — Definição do assunto: a história que a imagem conta

Método, pilar 2. Escolher o foco da imagem — Pessoas, Produto, Ambiente ou Resultado.

O método pede que se escolha um foco entre quatro. O Peppe não escolhe um — calibra os quatro, exatamente como faz com tudo o mais (a gramática V-A/V-B, a paleta, a voz). Mas a calibragem tem hierarquia, e o corpus já fixou o seu eixo.

O eixo já decidido: o herói é o usuário

O capítulo 19 cravou (19-identidade-visual.md §19.6): "A pessoa, não o produto-na-mão. O herói é o usuário; a imagem foca a vida que volta a funcionar, não a tela do app." Isso resolve a pergunta do método de saída: Pessoas e Resultado não são duas opções — são uma só. A imagem do Peppe mostra o resultado através da pessoa. O benefício não é um gráfico; é o rosto de quem voltou a ter o dia sob controle.

A hierarquia dos quatro assuntos — PROPOSTA

  1. Pessoas × Resultado — o assunto primário. O Acumulador de Jornadas no momento em que o resultado chega: o alívio discreto, a frente a menos para carregar, o gesto pequeno que deu certo. Nunca o momento do caos (clichê do pânico, §25.1) nem o momento da vida-perfeita (clichê da fantasia). O instante a fotografar é o intervalo — a pessoa entre duas frentes, respirando porque uma coisa já está resolvida. O briefing da persona é a régua: "competência sob carga" (08-buyer-persona.md §8.4.1).

  2. Ambiente — o assunto de apoio. A cenografia onde a marca vive: a mesa de trabalho real, o caderno físico ao lado da cama, a cozinha no fim do dia. O moodboard nomeou esta metáfora — "o cotidiano cósmico" (20-moodboards.md §20.2.6): "o miúdo da vida — café, TV, poltrona — num contexto maior, sem perder o aconchego". O ambiente do Peppe é doméstico e de trabalho, calmo, vivido — não o coworking aspiracional, não o escritório de vidro.

  3. Produto — só como metáfora, nunca como tela. O Peppe é software conversacional: não tem um corpo físico para fotografar, e a tela do app está fora (é a "máquina", item 2 da hierarquia recusada — §25.1). O que entra no lugar é a metáfora-mãe do moodboard: o aparelho de confiança (20-moodboards.md §20.1) — o Peppe materializado como um objeto de design com corpo, peso e mecanismo honesto à vista. Isso é território de render e ilustração, não de fotografia documental: o moodboard já o nomeou — "o aparelho que não existe, fotografado como se existisse" (20-moodboards.md §20.2.4). É uma direção forte, e por isso vai ao fechamento como decisão a ratificar.

  4. Detalhe / gesto — o assunto que costura. Não é uma quarta categoria do método, mas merece nome próprio porque é o mais fértil: o close de um gesto real. O áudio sussurrado (o "push-to-whisper" do moodboard), o boleto encaminhado, a mão riscando o caderno, a foto sendo tirada. O moodboard tem a metáfora — "a mão que sustenta" (20-moodboards.md §20.2.6): a mão que segura, nas próprias mãos, os compromissos do usuário. O detalhe humaniza sem precisar de rosto, o que o torna o assunto mais versátil e o mais seguro do ponto de vista de privacidade.

O que está explicitamente fora do assunto

  • A tela do app como herói. Screenshot de produto vende a máquina. Quando a interface precisar aparecer (loja de apps, material técnico), aparece como prova funcional, em contexto de uso — nunca como imagem de marca aspiracional.
  • O personagem Peppe. O Peppe não tem forma figurativa (13-brand-persona.md §13.3). Nenhuma imagem desta direção desenha um mascote, um avatar humanoide ou uma figura-Peppe. A presença do Peppe na imagem é indireta — está na luz, na ordem da cena, no aparelho-metáfora —, nunca num corpo.

25.3 — Enquadramento e ângulo

Método, pilar 3. A linguagem cinematográfica da marca — o plano (aberto, médio, fechado) e o ângulo (normal, plongée, contra-plongée).

O ângulo — a régua é o arquétipo

Esta é a decisão mais fácil do capítulo, porque o arquétipo já a tomou. O Peppe é um Cuidador na inflexão do escudeiro (12-arquétipos-da-marca.md, citado em 19-identidade-visual.md §19.1): "o herói é o usuário; o Peppe é quem carrega a bagagem" (13-brand-persona.md §13.1). Um escudeiro olha o patrão nos olhos — não de cima, não de baixo.

  • Ângulo normal, à altura dos olhos — a regra. Neutralidade e paridade. A câmera está onde estaria o olhar de alguém ao lado da pessoa. É a Lealdade feita lente (§25.1).
  • Plongée (de cima) — vetado como ângulo de pessoa. Olhar de cima diminui o sujeito; é o oposto do "assume o caos como ponto de partida, não como falha". Admissível apenas como plano técnico de objeto/mesa — o flat-lay do caderno, do boleto, dos itens sobre a superfície —, onde não há sujeito a diminuir.
  • Contra-plongée (de baixo) — vetado. Olhar de baixo confere autoridade, monumentaliza. O Peppe não é figura de autoridade — não é coach, não é banco (01-essencia.md §1.6). Quem é monumentalizado seria a marca; e a marca serve, não impõe.

O plano — contido, conforme o "painel único e sólido"

O capítulo 19 já fixou o princípio (19-identidade-visual.md §19.6): "enquadramento contido — sem dramatização, sem teatralidade". Traduzido em planos:

  • Plano médio — o plano-base. A pessoa em contexto, o ambiente legível ao redor, a interação visível. É o plano da maior parte das imagens — corresponde ao V-A, o chão.
  • Plano fechado / detalhe — o plano que costura. O close do gesto (§25.2, assunto 4). Carrega emoção e concretude sem expor rosto — é o plano mais usável e o mais respeitoso da privacidade.
  • Plano aberto — pontua, não domina. O ambiente amplo, o "cotidiano cósmico". Usado com parcimônia, para respiro e cenografia — nunca como o plano dramático de abertura de filme.

Fora: o close extremo dramático, o dutch tilt (câmera torta), o grande-angular distorcido, o plano que busca o espetáculo. A imagem do Peppe tem a mesma calma da interface — "painel único e sólido" (MANIFESTO.md §2.4).

A luz é parte do enquadramento

O Peppe tem um grafismo invisível: a luz direcional única, fixa, vinda do canto superior esquerdo (19-identidade-visual.md §19.5). A imagem da marca obedece à mesma física. Uma fotografia ou render do Peppe é iluminada por uma fonte direcional suave, preferencialmente do alto à esquerda — coerente com a tridimensionalidade honesta de toda a interface. Luz de janela, não de estúdio chapado; uma sombra que tem direção, não a sombra dupla simétrica do neumorphism (anti-padrão visual-language.md §0).

Síntese — a régua de enquadramento

AssuntoPlanoÂngulo
Pessoa × ResultadoMédioNormal, altura dos olhos
Gesto / detalheFechadoNormal, ou plongée técnico sobre a mesa
Ambiente / cenografiaAberto (pontual)Normal
Aparelho-metáfora (render)Médio / fechadoFrontal ou três-quartos reverente — o "objeto sobre fundo limpo" (20-moodboards.md §20.2.4)

25.4 — Esquema de cores e tratamento

Método, pilar 4. A "assinatura visual" da imagem — iluminação, saturação, filtros, contraste, brilho.

O tratamento da imagem não cria uma régua de cor nova — ele submete a imagem à régua de cor que o capítulo 22 já fechou. A gramática V-A predomina, V-B pontua (MANIFESTO.md §2.3) governa a imagem do Peppe tão estritamente quanto governa a interface.

Os dois registros de imagem

Espelhando os dois registros visuais da marca (19-identidade-visual.md §19.1), a imagem opera em dois registros calibrados:

  • Registro fotográfico V-A — "a vida real, em luz honesta." O chão, a maioria das imagens. Documental-editorial: a vida e os gestos reais do usuário, o ambiente cotidiano. Paleta dessaturada e quente, ou preto-e-branco. Luz natural direcional. Ângulo normal. É a competência silenciosa (20-moodboards.md §20.3).
  • Registro V-B — "o aparelho e o calor." A nota, poucas imagens — momentos de marca, hero, capa. O render do aparelho-metáfora; o retrato editorial retrofuturista (o moodboard tem o exemplar: a pessoa de capacete com visor âmbar sobre fundo off-white, Photo/_ (7).jpeg"a imagem hero do acervo inteiro", 20-moodboards.md §20.2.4). Aqui o terroso saturado aparece — mas ainda como acento, nunca como banho de cor sobre a imagem toda.

A calibragem entre os dois é a mesma de sempre: uma imagem V-B no campo de visão de uma peça é regra; o conjunto da comunicação é predominantemente V-A.

O tratamento — especificação proposta

Todos os parâmetros abaixo são PROPOSTA, derivados da paleta (cap. 22) e do moodboard:

  • Iluminação. Fonte direcional única e suave, idealmente do alto à esquerda (§25.3). Luz natural / de janela. Vetado: flash duro, ring light, o estúdio multi-fonte glamouroso, a luz chapada sem direção.
  • Temperatura. Levemente quente — puxando para o off-white #F7F7F7 e para o âmbar. Nunca fria, nunca o azul-clínico do white-balance de dashboard financeiro. A temperatura quente é o atributo Acolhedor feito luz (22-paleta-de-cores.md §22.1).
  • Saturação. Baixa a neutra no conjunto da imagem. O acento V-B é o único ponto saturado — um objeto âmbar, uma luz quente, um elemento terracota isolado. Mesma regra predomina/pontua: imagem inteira saturada é violação, não estilo.
  • Contraste e brilho. Contidos. Sem pretos esmagados (a marca usa #171717, não preto puro) e sem altas-luzes estouradas. A imagem é calma e legível — o off-white acolhe, não ofusca.
  • Grão / pátina. Um grão sutil de filme ou de papel é admitido como pátina (20-moodboards.md §20.2.3) — sempre contido, nunca um filtro pesado. É o "rústico-tecnológico" no detalhe.
  • Preto-e-branco. Legítimo, e característico do registro V-A — o moodboard registra a "fotografia editorial de produto, B&W ou off-white" como o movimento dominante do acervo (20-moodboards.md §20.2.4).

A régua dura — o que o tratamento nunca faz

  • Sem gradiente colorido vibrante sobreposto à imagem — é anti-padrão de cor da marca (MANIFESTO.md §2.4).
  • Sem iridescência, sem HDR dramático, sem teal-and-orange de cinema comercial, sem lens flare decorativo.
  • Sem filtro de preset que imponha uma cor estranha à paleta. O tratamento aproxima a imagem da paleta do Peppe; não a leva para outro lugar.
  • Sem textura como tapete. Fotografia usada como fundo de tela inteira é o anti-padrão "textura como tapete" (20-moodboards.md §20.2.3, Flag) — a imagem é elemento contido, não papel de parede.

25.5 — Diretrizes práticas

Método, pilar 5. Apoiar-se nos moodboards, pensar nos pontos de contato, ser estratégico mesmo com banco de imagens.

Apoiar-se no moodboard

O trabalho de curadoria de referência já existe e não se refaz aqui: o capítulo 20 auditou ~118 imagens de reference-files/aesthetic/ contra a gramática da marca. Para direção de imagem, as âncoras são:

  • 20-moodboards.md §20.2.4Estilo de imagem: os quatro movimentos aprovados (fotografia editorial de produto B&W/off-white; render fotorrealista de aparelho; retrato editorial retrofuturista; ambiente como cenografia) e os flags (blob, ícones 3D, iridescência — fora).
  • 20-moodboards.md §20.2.6Metáforas visuais: o banco de assuntos já validado — o aparelho de confiança, o gravador push-to-whisper, o painel de controle / cockpit, a mão que sustenta, o cotidiano cósmico, o semáforo âmbar. Cada metáfora é um brief de imagem pronto.
  • A pasta reference-files/aesthetic/Photo/ é o ponto de partida concreto de qualquer board de fotografia — em especial o retrato hero Photo/_ (7).jpeg.

Pontos de contato — onde cada registro entra

Ponto de contatoRegistroAssunto típico
Landing page (hero)V-B pontua sobre V-AAparelho-metáfora, ou retrato editorial retrofuturista
Landing page (corpo)V-APessoa × Resultado; gesto/detalhe
Loja de appsV-AInterface em contexto de uso real (prova funcional, não aspiração)
Onboarding / estado vazioIlustração V-B contidaGlifo geométrico (ver abaixo) — DADO
E-mail / notificaçãoV-A, ou sem imagemDetalhe/gesto; a maioria das peças não precisa de imagem
Marketing / socialV-A predomina, V-B pontuaPessoa × Resultado; ambiente
Press kit / institucionalV-BAparelho-metáfora

Ilustração — o que já é DADO, e onde mora

A ilustração tem, no Peppe, um lugar definido e mínimo, e ele já é DADO (19-identidade-visual.md §19.6; visual-language.md §3):

  • A ilustração entra como acento V-B em elemento contido, em superfícies de apresentação — onboarding (75/25) e estado vazio (90/10) na matriz de visual-language.md §3.
  • É glifo geométrico e paleta terrosa: círculo, arco, retângulo, stroke único. Nunca ilustração vetorial complexa, nunca cena decorativa, nunca preenchimento gradiente. "A ilustração do Peppe pontua; não narra" (19-identidade-visual.md §19.6).
  • Ponto a esclarecer: a matriz visual-language.md §3 descreve a linha de onboarding como "ilustração de apresentação do Peppe". Isso não é ilustração de personagem — é ilustração que apresenta o produto Peppe por meio de glifo geométrico. A distinção importa: ilustração figurativa (uma figura, uma cena, um rosto) não existe na marca hoje.
  • A especificação fina da ilustração-glifo é, a rigor, território do capítulo 24 (Grafismos). O capítulo 24 existe e cobre a tecla como grafismo-objeto e o padrão de pontos (24 §24.5.4, §24.5.2) — mas a ilustração-glifo de onboarding/estado vazio permanece lacuna do sistema: o 24 não a especificou (seu escopo foi o sistema de grade revelada e a tecla). Direção de imagem aponta a fronteira e não a invade: o glifo é grafismo; este capítulo cuida de fotografia e da imagem figurativa.

O personagem Peppe — um exercício à parte, e futuro

A pergunta vai surgir: "e a ilustração do personagem Peppe?" A resposta é firme e já está no corpus: o Peppe é definido pela voz, não tem forma visual ainda, e essa forma virá num exercício dedicado, conduzido por um ilustrador contratado (13-brand-persona.md §13.3). Direção de imagem não antecipa essa figura — criar um mascote agora, sem o exercício próprio, seria cravar uma decisão de marca grande por um caminho errado. Fica registrado como lacuna de horizonte, não como tarefa deste capítulo.

Curadoria estratégica de banco de imagens

O Peppe é pré-lançamento; é provável que as primeiras peças usem banco de imagens antes de haver produção própria. O método pede criatividade mesmo no estoque — aqui a régua de curadoria:

  • Rejeitar o resultado óbvio da busca. As três primeiras páginas de qualquer banco são o clichê (§25.1). A imagem certa está fundo, é específica, e quase nunca é a mais "limpa".
  • Trazer para a paleta. Toda imagem de estoque passa pelo tratamento do §25.4 — dessaturar, esquentar a temperatura, conter o contraste, eventualmente converter para B&W. Estoque cru, com a cor do estoque, é proibido.
  • Cortar fechado. O crop fechado tira o sujeito do contexto genérico de estúdio e devolve concretude. O detalhe salva a imagem de banco.
  • O gesto antes do rosto. Imagens de gesto/detalhe (§25.2, assunto 4) são mais fáceis de encontrar sem o clichê, mais seguras quanto a privacidade, e mais fiéis à marca. Na dúvida, mostrar a mão e o objeto, não o sorriso.
  • O teste único. Toda imagem candidata passa pela pergunta do moodboard (20-moodboards.md §20.1), adaptada: isto parece a vida real de alguém competente e sobrecarregado, tratada com rigor e com afeto — ou parece um anúncio? Se parece anúncio, está fora.

Governança — até ratificar, fotografia não vai ao ar

Enquanto esta direção for proposta, vale a régua do capítulo 19 (§19.6, §19.8): fotografia não é superfície de marca vigente. É o elo que ainda não contribui para o reconhecimento da marca e o ponto por onde uma aplicação descuidada pode diluí-la. Ratificada esta direção, ela passa a reger; o capítulo 26 (Manual visual) consolida a régua operacional de imagem ao lado das demais.


Para o usuário — fechamento

Conforme prompt-inicial.md §8. Este capítulo é, por natureza, diferente dos capítulos visuais anteriores: onde 21 e 22 consolidaram matéria em produção, este propõe uma fundação onde o corpus estava vazio. Quase tudo abaixo, portanto, é decisão a ratificar — e isso é esperado, não um defeito do capítulo.

Mapa de execução — o que vem depois

Este capítulo dá a direção de imagem. Falta a execução: um board de referências de fotografia dedicado (o reference-files/aesthetic/ é estética geral, não um board de fotografia curado), a produção ou licenciamento dos primeiros assets, e a especificação da ilustração-glifo — que permanece lacuna do capítulo 24 (o capítulo existe, mas não especificou o glifo de onboarding/estado vazio; ver §25.5). O capítulo 26 (Manual visual) consolida a régua operacional. A forma figurativa do personagem é um exercício à parte, futuro, com ilustrador contratado.

Decisões a ratificar — propostas que o corpus não fechou

  1. A hierarquia de assuntos (§25.2). Proposta: assunto primário = Pessoa × Resultado fundidos (o usuário no momento do alívio); apoio = Ambiente; metáfora = o aparelho; costura = o gesto/detalhe. Fora: a tela do app como herói; o personagem. Ratificar a hierarquia.
  2. O aparelho-metáfora como imagem de produto (§25.2, §25.3). Proposta: como o Peppe não tem corpo físico, a imagem de "produto" é o render do aparelho de confiança"o aparelho que não existe, fotografado como se existisse". É uma direção criativa forte: cravar que a marca se mostra por um objeto fictício renderizado. Ratificar, ou redirecionar.
  3. A régua de ângulo (§25.3). Proposta: ângulo normal, à altura dos olhos, como regra; plongée só como plano técnico de mesa; contra-plongée vetado. Derivada do arquétipo escudeiro. Ratificar.
  4. A especificação de tratamento (§25.4) — luz direcional quente, saturação baixa com acento V-B único, contraste contido, grão como pátina, B&W legítimo no V-A. São parâmetros propostos, derivados da paleta. Ratificar como ponto de partida — o ajuste fino é da execução.
  5. Os dois registros de imagem (§25.4) — "a vida real em luz honesta" (V-A) e "o aparelho e o calor" (V-B). Nomeação proposta, espelhando a gramática. Ratificar.

Lacunas — dependem de dado, asset ou input do PO

  1. Não existe board de fotografia. O moodboard (cap. 20) cobre estética geral; não há uma parede de referências curada especificamente para a direção de fotografia. É o próximo entregável concreto — provavelmente do ui-designer.
  2. Não existem assets. Nenhuma foto produzida ou licenciada existe no repositório. Inclui a foto representativa da persona, já registrada como lacuna em 08-buyer-persona.md §8.4.1.
  3. Modelo de sourcing não definido. Produzir (sessão fotográfica própria), licenciar (banco de imagens) ou gerar (imagem por IA) — não há decisão nem orçamento. Afeta diretamente o que desta direção é executável a curto prazo.
  4. Ilustração-glifo — lacuna remanescente no capítulo 24. O capítulo 24 existe e cobre o sistema de grafismos (padrão de pontos, grid blueprint, tecla), mas não especificou a ilustração-glifo de onboarding/estado vazio. Esta especificação permanece lacuna do sistema; este capítulo aponta a fronteira e não a preenche.
  5. A forma do personagem Peppe é um exercício futuro e à parte (13-brand-persona.md §13.3) — fora do escopo deste capítulo, registrado para não se perder.

Perguntas abertas — do método, que o corpus não responde

  1. A marca mostra rostos de usuários reais? O atributo Honesto pede vida real; mas mostrar rosto reconhecível levanta consentimento, licenciamento e privacidade (LGPD). A direção propõe favorecer o gesto/detalhe sobre o retrato justamente por isso — mas a decisão de mostrar ou não rostos reais precisa do PO.
  2. Imagem gerada por IA — pode ou não? Para um produto pré-lançamento, imagem por IA é barata e rápida — e o render do aparelho-metáfora é, por natureza, generativo. Mas há uma tensão de marca real: o Peppe é a marca da honestidade, do "mostra a mão, não a máquina"; usar imagem sintética sem critério pode soar incoerente. Não é uma proibição — é uma decisão consciente que o PO precisa tomar, com régua (ex.: IA liberada para render conceitual de objeto; vetada para simular fotografia documental de pessoa real).
  3. Quanto da marca precisa de imagem, afinal? Boa parte da superfície do Peppe — app, WhatsApp, notificação — funciona sem fotografia nenhuma. Vale confirmar se a direção de imagem é prioridade de curto prazo (landing e marketing pedem) ou se pode amadurecer sem pressa, enquanto os capítulos verbais e de interface seguem.