19 · Identidade visual

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19 · Identidade Visual

Fontes: MANIFESTO.md §2, §4, §5, §7, §8 · BRIEFING.md §4, §7 · brand/guidelines/01-essencia.md §1.4 · brand/guidelines/09-nucleo-da-marca.md · 11-virtudes-da-marca.md · 12-arquetipos-da-marca.md · 13-brand-persona.md · brand/guidelines/research/auditoria-mercado.md §3.2 · .claude/ui-design/visual-language.md · design-system/tokens/tokens.css · Design System materializado (designsystem.peppeai.com) · app prototype-chat.

Este capítulo responde à pergunta como o Peppe se mostra — no nível estratégico. Define o que cada ativo visual precisa fazer, e por quê, antes de a execução de design fixar o pixel. É a carta de identidade visual: o briefing que governa os capítulos de execução que vêm depois (20 — moodboards, 21 — símbolos e logotipo, 22 — paleta de cores, 23 — conjunto tipográfico, 24 — grafismos, 25 — direção de imagem, 26 — manual visual).


Uma ressalva de partida — a identidade não é página em branco

A maioria dos capítulos de identidade visual começa do zero. Este não. O Peppe já tem identidade visual, e ela já está em produção:

  • A gramática visual está cravada no canônico — MANIFESTO.md §2 — e operacionalizada na régua de execução .claude/ui-design/visual-language.md.
  • A matéria visual está materializada e versionada nos tokens (design-system/tokens/tokens.css), espelhados no app prototype-chat.
  • Está aplicada e navegável no Design System público (designsystem.peppeai.com) — fundamentos, componentes e conteúdo — e no app de chat em produção.

A consequência metodológica é direta, e segue a precedência de 00-indice.md: este capítulo consolida, não inventa. Quase tudo aqui é DADO — decisão já tomada upstream, com fonte. Onde aparece PROPOSTA, é porque o corpus tem uma lacuna real (notadamente a direção de imagem) — e a proposta vai marcada e listada no fechamento. O Design System fornece tokens e fundamentos; ele não responde quem a marca é. Quem a marca é se decidiu nos capítulos 09–14. Este capítulo faz a ponte: traduz esse núcleo na forma que o usuário vê.


19.1 — Da marca à forma: o núcleo traduzido

A diretriz pede, como primeiro passo, o núcleo da marca — virtudes, arquétipo, conceito — para então derivar dele as decisões visuais. O núcleo está fechado nos capítulos anteriores. Esta seção o recupera e mostra como cada peça do DNA já virou regra visual. Nada aqui é novo: é a auditoria da tradução que já aconteceu.

O conceito central — a automação ingênua

A ideia de marca é a automação ingênua (01-essencia.md §1.4): por fora, um efeito que parece mágico; por dentro, um mecanismo humano, esforçado, sem vergonha de sê-lo. O princípio operacional — "mostra a mão, não a máquina".

Isso tem tradução visual literal e ela já está no produto:

  • A interface é trabalhada por luz direcional, não por efeito. Volume vem de sombra orgânica derivada da cor do fundo — superfície física, que pousa e projeta, como objeto real sob uma janela. É a "mão": matéria honesta, não truque.
  • O oposto — gradiente colorido vibrante, sombra preta como filtro, brilho que finge profundidade — é a "máquina" performando mágica. Está fora da gramática por construção (MANIFESTO.md §2.4).
  • A assinatura do nome é manuscrita (ver §19.2): o wordmark lê como alguém que assinou à mão — eco do "caderninho" da automação ingênua.

O arquétipo — Cuidador, com três modulações

O Peppe é um Cuidador na inflexão do escudeiro fiel, modulado por Bobo da Corte contido, Mago honesto e Sábio que devolve a decisão (12-arquetipos-da-marca.md). A identidade visual encarna essa estrutura sem precisar de novo vocabulário:

Faceta do arquétipoComo já aparece na forma
Cuidador / Sábio — discreto, a serviço, sem roubar a cenaO registro V-A (Rigor Funcional): off-white, cinzas, geometria limpa, sem ornamento. É o ambiente sóbrio de quem cuida sem se exibir.
Bobo da Corte contido — calor, personalidade, leveza que pontuaO registro V-B (Retrofuturista): acento terroso saturado, a "tecla" tátil, textura pontual. Aparece em pontos, nunca como tapete.
Mago honesto — transformação que mostra o truqueA tridimensionalidade direcional: o efeito é real porque a luz é coerente; o "truque" fica à vista.

A regra estruturante da gramática — V-A predomina, V-B pontua (MANIFESTO.md §2.3) — é o mesmo princípio do arquétipo: o Cuidador é o centro de gravidade; o Bobo modula, nunca governa. Visual e arquétipo dizem a mesma coisa.

As virtudes — quatro decisões, quatro regras visuais

As quatro virtudes (11-virtudes-da-marca.md) têm, cada uma, uma contraparte visual já em vigor:

  • Honestidade → luz direcional única (canto superior esquerdo, fixa): a superfície obedece a uma física real, não a um efeito fabricado. Sombra é cor-do-fundo deslocada, nunca preto aplicado como filtro.
  • Prudência → cor funcional aplicada cirurgicamente: alerta, erro, sucesso e informação só sinalizam estado de sistema; nunca decoram. A cor tem função, ou não aparece.
  • Temperança → a calibragem predomina/pontua: V-A cobre a superfície, V-B entra em elemento contido. A justa medida é a régua de dosagem (um card V-B no campo de visão é regra; dois é o limite; três é violação).
  • Lealdade → consistência: raio único por família de componente, escala de espaçamento 8px sem exceção de layout, tokens reusados antes de criados. A interface lê como painel único e sólido — a mesma mão atrás de cada tela.

Os três atributos centrais — Honesto, Antecipatório, Acolhedor

  • Honesto → a recusa do gradiente-mágico e da sombra-truque; a luz que confessa de onde vem.
  • Antecipatório → o rigor geométrico: grade matemática, hierarquia legível, nada de ruído entre o usuário e o sinal. Forma que serve antes de o usuário pedir.
  • Acolhedor → o off-white como superfície dominante, não o preto frio: um ambiente que recebe. E o calor terroso do V-B — a temperatura que separa o Peppe do "assistente frio da ficção científica".

O resultado: a gramática V-A / V-B

A tradução do núcleo produz a gramática visual de dois registros que coexistem (MANIFESTO.md §2), espelhando os dois registros de voz:

  • V-A — Rigor Funcional (Rams). O chão. Off-white supremo + cinzas industriais, superfície lisa trabalhada por luz, tipografia disciplinada, geometria matemática, zero ornamento. Referência-seed: o funcionalismo de Dieter Rams / Braun, herança Bauhaus. Domina superfícies de leitura densa, dashboard, confirmações, estados de sistema. DADO (MANIFESTO.md §2.1).
  • V-B — Retrofuturista (Acento). A nota. Tons terrosos saturados como acento, textura pontual, o sabor do "futuro que o passado imaginou". Referência-seed: o imaginário retrofuturista dos anos 70. Habita elementos contidos — card, ícone, ilustração, a tecla — nunca superfície global. DADO (MANIFESTO.md §2.2).

A identidade do Peppe não está em nenhum dos dois registros isolado — está na calibragem entre eles. Rams puro seria mais do mesmo; retrofuturismo puro seria ruído. A personalidade mora no contraste controlado. Esta é a verdade que todos os pilares abaixo herdam.

A régua completa de calibragem por superfície vive em .claude/ui-design/visual-language.md §3 (matriz superfície × registro). Este capítulo não a reabre — fixa o princípio; a régua opera.


19.2 — Sinais e símbolos

Pilar 1. Vá além do logotipo: assinaturas visuais, selos, símbolos secundários que carregam o significado da marca.

A marca gráfica — o sistema de logotipo

O Peppe tem hoje dois ativos de marca materializados (design-system/assets/, brand/assets/):

  • Wordmarkpeppe-logotype.svg (127 × 46). A palavra "peppe" em letra cursiva, manuscrita, inscrita numa moldura elíptica fina horizontal. Renderizado inline, herda a cor do contexto via currentColor. DADO — é o logotipo em uso no Design System e no app.
  • Símbolo circularlogo-circle.svg (48 × 48). A marca reduzida a um disco com um recorte da assinatura cursiva vazado em negativo. É o ativo de espaço reduzido: favicon, ícone de app, avatar. DADO.

A natureza manuscrita do wordmark não é detalhe estilístico — é coerência de marca. A escrita à mão é a contraparte gráfica da automação ingênua: a marca não se apresenta com um logotipo "tecnológico", e sim com algo que lê como uma assinatura — gesto humano, pessoal, o oposto da frieza de máquina. A moldura elíptica funciona como um selo: contém e estabiliza o gesto cursivo dentro de uma forma geométrica calma — o mesmo encontro V-A (geometria) × V-B (calor) que rege tudo. (A leitura "assinatura manuscrita" como racional de marca é uma proposta de leitura ancorada em 01-essencia.md §1.4; o capítulo 21 — Símbolos e logotipo — formaliza o sistema e o racional.)

A assinatura visual secundária — a "tecla"

O Peppe tem um segundo sinal de marca, e ele é forte: a tecla — o botão tátil retrofuturista do registro V-B. Estrutura de três camadas materializada nos tokens (design-system/tokens/tokens.css):

  • Socket — o encaixe, com overlay de ambiente sutil;
  • Rim — o anel de profundidade em borgonha escuro (#5F0000);
  • Cap — o topo em âmbar saturado, com bisel e estado pressed que afunda.

A tecla é o objeto onde o retrofuturismo do Peppe se concentra: um controle de hardware analógico vestindo tecnologia — exatamente o imaginário-seed do V-B. Proposta: tratá-la formalmente como assinatura visual proprietária da marca, ao lado do logotipo — porque ela carrega identidade mesmo quando o logo não está em cena (ver Teste de força, §19.9). Ratificação e especificação cabem ao capítulo 21/24.

Selos de certificação

Não se aplica hoje: o Peppe é pré-lançamento, sem certificação, selo regulatório ou prova de auditoria a exibir. É previsível que a maturidade traga essa necessidade — marcas de confiança (LGPD, segurança, privacidade) são plausíveis quando houver operação pública. Fica registrado como lacuna de horizonte, a ser tratada nos capítulos de aplicação (27) e manual visual (26), não agora.

Síntese do pilar

O sistema de sinais do Peppe é enxuto e proprietário: wordmark cursivo + moldura elíptica, símbolo circular para espaço reduzido, e a tecla como assinatura secundária. Nenhum desses elementos é genérico — e é isso que sustenta o teste de §19.9.


19.3 — Tipografia

Pilar 2. Um sistema tipográfico: a função de cada fonte, a aderência à cultura da marca, legibilidade e acessibilidade.

O sistema tipográfico está fixado e materializado (.claude/ui-design/visual-language.md §4.4, tokens.css). É um pareamento de duas famílias, cada uma com função própria — modelo de referência: a dupla tipográfica do Claude (uma sans + uma serif, duas funções, uma identidade).

FamíliaPapelFunção na marcaStatus
Instrument SansSans editorial — corpo de texto e UIOnde a leitura é longa e a forma precisa sumir. É a voz neutra, legível, do Registro A.DADO — face definitiva (pesos 400/500/600/700).
FrauncesSerif de sabor retrô-70s — display (≥ 32px)Onde a marca aparece: H1/H2, capa de seção, hero. Carrega a personalidade e o sabor setentista — é tipografia como voz.DADO — face definitiva, variável (axes opsz 9–144, wght, ital, SOFT). Flavor Soft aplicado globalmente (SOFT 50).

Decisões estruturais já em vigor:

  • Alternância semântica, nunca decorativa. Sans = leitura; serif = voz. A serif só entra em tamanho ≥ 32px (limiar duro — abaixo disso, a métrica retrô prejudica leitura e perde a função de personagem). Serif em corpo de texto é violação de gramática.
  • Os dois registros usam o mesmo pareamento. V-B não troca de tipo — muda por paleta e superfície. Isso mantém a interface lendo como painel único mesmo com o acento entrando.
  • Hierarquia por peso, tracking e alternância sans/serif — não por escalada de tamanho. No máximo 3 pesos e 5 tamanhos simultâneos numa tela.
  • Escala materializada de 10 tamanhos, toda em múltiplos de 8: xs 12 / sm 14 / md 16 / lg 20 / heading-md 24 / heading-lg 32 / xl 40 / 2xl 48 / display 64 / display-lg 80 — com escala responsiva para os títulos maiores. O token xl (40px desktop) colapsa para 32px em tablet/mobile; 2xl, display e display-lg também têm valores reduzidos nesses breakpoints (conforme tokens.css). Os tokens de leitura (xsheading-md) não sofrem colapso responsivo.
  • Acessibilidade é critério, não enfeite: a escala, os pesos e os contrastes de cor sobre texto já foram validados em WCAG AA (ver §19.4).

Ponto aberto — uma terceira família. A régua canônica .claude/ui-design/visual-language.md §4.4 define a gramática como pareamento duplo (sans + serif) e excluiu explicitamente uma fonte mono e uma cursiva decorativa do escopo vigente. Porém o tokens.css declara --type-family-mono (Martian Mono), originado da iteração de design da landing page, e a família é usada em micro-copy editorial (rodapé, kicker numérico). Há aqui uma divergência entre a régua e a matéria materializada — não um erro, mas uma decisão que evoluiu sem fechar a régua. Registrada como decisão a ratificar (fechamento, item 2): a gramática tipográfica do Peppe é uma dupla ou um trio? O capítulo 23 — Conjunto tipográfico — é onde isso se fecha.


19.4 — Cores

Pilar 3. Um sistema que garanta diferenciação e percepção de personalidade — funcional no digital e no impresso, com significado alinhado à estratégia.

A cor do Peppe opera em três paletas com papéis estritamente separados — princípio canônico (MANIFESTO.md §2.4: "cor tem função, ou não aparece"). Todos os valores abaixo são DADO, materializados em tokens.css.

Paleta base — V-A (off-white + cinzas)

O ambiente. Cobre qualquer superfície.

  • Superfícies: base #F7F7F7 (off-white dominante) · raised (gradiente sutil #F7F7F7#FBFBFB) · floating #FBFBFB · carved #EFEFEF · divider #ECECEC · shell #FFFFFF (invólucro de navegação).
  • Tinta (texto): ink/primary #171717 · secondary #6B6B6B · tertiary #A1A1A1 · inverse #F7F7F7.

O off-white em vez do branco puro, e o cinza-escuro em vez do preto, são decisão de marca: a superfície acolhe em vez de gelar. É o atributo Acolhedor na cor.

Paleta funcional — sinal de sistema

Quatro cores, um papel cada, nunca decorativas: success #37A35A · alert #D4A017 · error #C43D3D · info #3875B0. Cada uma tem variante text-accessible e tint próprios — porque o contraste sobre o tint foi resolvido em WCAG AA, não estimado. É o atributo Prudência na cor: a cor de estado só fala quando o sistema precisa avisar.

Paleta de acento — V-B (terroso retrofuturista)

A personalidade. Ativada apenas em elemento contido, em contexto autorizado pela matriz visual-language.md §3 — nunca como superfície global. A materialização vigente é a família âmbar da tecla: cap #F7692B#FA4C00, rim em borgonha escuro #5F0000. É o calor da marca — o sabor setentista, o toque do Bobo da Corte contido.

Nota de vocabulário: visual-language.md §7 nomeia a paleta de acento como accent/earth-1..4 (terrosos: ocre, terracota, mostarda, âmbar, ferrugem). O que está materializado em produção é a faixa âmbar/borgonha da tecla. A consolidação completa da paleta V-B — quantos terrosos, em que valores — é entrega do capítulo 22 (Paleta de cores).

O que fica fora — régua dura

  • Gradiente colorido ou vibrante em chrome de UI (botão, card, hero, fundo de seção).
  • Cor decorativa — qualquer cor que não seja base, funcional ou acento V-B autorizado.
  • Uma 4ª paleta. O sistema é fechado em três.

Digital × impresso

Toda a paleta vive hoje em RGB/hex, calibrada para tela. O Peppe é digital-first e pré-lançamento — não há, no corpus, demanda de impresso. Quando houver (capítulo 27 — Aplicações), a conversão para CMYK/Pantone é trabalho de execução: a régua de significado não muda, só o espaço de cor. Lacuna de horizonte, não bloqueio.


19.5 — Grafismos e elementos de apoio

Pilar 4. O "clima" visual: formas afiadas ou arredondadas, 2D ou 3D, as virtudes traduzidas em formas e padrões.

O clima visual do Peppe não vem de ilustração nem de ornamento — vem de quatro sistemas estruturais já materializados.

A luz direcional — o grafismo invisível

O elemento de apoio mais característico do Peppe não é um desenho: é a luz. Direção fixa, do canto superior esquerdo. Dela nasce a tridimensionalidade — superfícies que pousam (raised), afundam (carved) ou flutuam (floating), cada uma com sua sombra orgânica derivada da cor do fundo. Sombras materializadas: raised (par highlight-claro + sombra-suave), floating (sombra longa única), carved (sombra interna). É 3D honesto — física coerente, não neumorphism (sombras simétricas sem direção são anti-padrão). A luz é a virtude Honestidade feita clima.

A geometria — formas, raios, grade

  • Formas arredondadas com disciplina. Raios materializados: sm 8 · md 16 · lg 24 · xl 32; família de botão 12/20; a tecla com sua escala própria (socket/rim/cap 18/16/14 px, variante grande). Um raio único por família de componente; no máximo três valores simultâneos. Curvatura calma — nem afiada, nem bolha. Nota: os raios da tecla (18/16/14) não são múltiplos de 8 — são oddballs aceitos como exceção ótica deliberada (anti-patterns.md §12): a diferença de raio entre camadas cria a sensação de profundidade tátil; normalizar para múltiplos de 8 destruiria o efeito. Eles não integram a escala regular de raios e não devem ser replicados em outros componentes.
  • Grade base 8px. Todo espaçamento de layout é múltiplo de 8 (escala 2/4/8/12/16/24/32/48/64/96/128). 4px só em ajuste óptico. É a virtude Lealdade / consistência feita grade.

A textura pontual — o padrão de pontos

O grafismo de apoio explícito é discreto por design: um padrão de pontospattern.svg, tile de 16px com um ponto de 1px em cinza-claro (#CECECE). Textura como acento V-B pontual, jamais como tapete de fundo global (régua dura MANIFESTO.md §2.2). É o "rústico-tecnológico" entrando no detalhe.

A tecla — o objeto-grafismo

A tecla (§19.2) é também elemento de apoio: onde o sistema precisa de calor e tatilidade, ela é a peça. Concentra o V-B num objeto em vez de espalhá-lo pela tela — coerente com predomina/pontua.

2D ou 3D — a resposta

O Peppe é 2D estrutural com profundidade percebida. A interface lê como painel único e sólido (MANIFESTO.md §2.4) — sem sobreposição teatral de camadas. A terceira dimensão existe só como leitura de luz: elementos interativos têm volume; elementos estáticos são perfeitamente planos. Profundidade a serviço da função (o que se pode tocar tem volume), nunca como espetáculo.


19.6 — Direção de imagem (fotografia / ilustração)

Pilar 5. Que imagem traduz a personalidade — estilo, enquadramento, tratamento de cor.

Aqui o corpus tem uma lacuna real. Diferente de tipografia e cor — fechadas e materializadas —, o repositório não contém uma direção de fotografia. A régua visual trata ilustração de passagem (uma ilustração V-B pontual em onboarding e estado vazio, visual-language.md §3) e não trata fotografia. Logo, esta seção é majoritariamente PROPOSTA, ancorada na evidência de marca, a ratificar — e o detalhamento é do capítulo 25 (Direção de imagem).

Ilustração — o que já existe (DADO parcial)

A ilustração tem um lugar definido e mínimo: acento V-B, em elemento contido, em superfícies de apresentação (onboarding, estado vazio). Glifo geométrico e paleta terrosa, nunca ilustração vetorial complexa nem cena decorativa. A ilustração do Peppe pontua; não narra.

Fotografia — proposta de direção (PROPOSTA)

A direção fotográfica deriva diretamente dos atributos de marca:

  • Anti-stock, anti-aspiracional. A auditoria-mercado.md §3.2 registra o pecado-padrão da categoria — "marketing aspiracional acima da execução". O atributo Honesto veta a foto de banco de imagens com o profissional sorridente e a vida resolvida. A imagem do Peppe mostra a vida real do Acumulador de Jornadas — competente e sobrecarregada —, não a fantasia dela.
  • Tratamento de cor coerente com a paleta. Luz natural, temperatura levemente quente, sem saturação artificial — alinhado ao off-white acolhedor e ao calor terroso do V-B.
  • A pessoa, não o produto-na-mão. O herói é o usuário (09-nucleo-da-marca.md §9.1); a imagem foca a vida que volta a funcionar, não a tela do app.
  • Enquadramento contido. Sem dramatização, sem teatralidade — o mesmo princípio do "painel único e sólido" aplicado à imagem.

Tudo nesta subseção é proposta a ratificar; o capítulo 25 fecha. Enquanto não fechar, fotografia não deve ir ao ar como superfície de marca — é o único pilar visual sem régua vigente.


19.7 — Iconografia

Pilar 6. Definir se há necessidade de um kit de ícones exclusivo para interfaces ou sinalização.

A gramática de ícone — DADO

A régua de ícone está fixada (visual-language.md §4.5): glifos geométricos puros, stroke único e consistente (1.5px), três tamanhos no sistema de 8px (16/24/32). Proibido: multi-stroke, ilustração vetorial complexa, preenchimento gradiente. O ícone do Peppe é sinal funcional — não desenho.

Existe kit proprietário hoje? — Não

Hoje os ícones são contextuais — SVGs inline dentro de componentes (menu, chips, botões), sem um kit nomeado e centralizado. Para o estágio de PoC, isso é aceitável: a gramática garante consistência mesmo sem catálogo.

A decisão estratégica — PROPOSTA

A diretriz pede uma decisão explícita. Proposta: o Peppe justifica um kit de ícones proprietário — pequeno, fechado, geométrico — quando sair da PoC. Razão: a gramática de ícone (stroke 1.5px, glifo geométrico, grid 8px) é distintiva o bastante para ser ownable, e um kit centralizado evita que ícones contextuais derivem de estilo com o tempo. Não é urgente; é horizonte. Marcado como decisão a ratificar — escopo e timing cabem ao capítulo 26 (Manual visual) / Design System.

Nota — não confundir com as âncoras emoji

A copy conversacional do Peppe usa um conjunto fechado de 11 âncoras emoji (voice-and-tone.md §4.5: ✍️ 📝 🚨 ✅ 💤 🗑️ 🗓️ 💸 💰 🎂 💊). Isso é um sistema verbal — pontuação semântica dentro do texto do canal conversacional —, não iconografia de interface. Os dois sistemas coexistem e não se misturam: emoji ancora frase; glifo geométrico ancora UI. O capítulo 26 deve registrar a fronteira para evitar contaminação.


19.8 — Teste de força proprietária

"Se cobrirmos o logotipo, a marca ainda é reconhecível apenas pelas cores, fontes e grafismos?"

Resposta honesta: sim, com uma condição.

O que sustenta o reconhecimento sem o logo:

  • A tecla. O objeto V-B — cap âmbar, rim borgonha, volume tátil — é inconfundível. Nenhum concorrente do benchmark tem nada parecido. É o ativo mais proprietário do sistema.
  • O par off-white + terroso. A superfície calma de Rams quebrada por um acento âmbar setentista é uma combinação que a categoria — neutra ou genérica — não ocupa.
  • A luz direcional. A tridimensionalidade honesta (pousar/afundar/flutuar sob luz fixa) dá uma textura de superfície que destoa do flat-design e do neumorphism genérico.
  • O pareamento Instrument Sans + Fraunces. A serif retrô-70s em display é voz tipográfica, não tipografia neutra de produto.

A condição — e a fragilidade honesta: o reconhecimento depende de o V-B aparecer. Uma tela 100% V-A — dashboard, listagem, confirmação — é, por construção, Rams disciplinado: bonito, correto e relativamente genérico. A identidade do Peppe não mora em nenhum registro isolado; mora na calibragem (§19.1). Cobrir o logo de uma superfície V-A pura deixa pouca assinatura. Isso não é defeito — é a régua predomina/pontua funcionando: o V-A é chão, e chão é discreto de propósito. Mas significa que a força proprietária é sistêmica, não está num único elemento — e que a presença disciplinada do acento V-B nos pontos certos é o que torna a marca reconhecível.

Buraco aberto no teste: a direção de imagem (§19.6) ainda não tem régua. Enquanto fotografia não for fechada, ela é o elo que não contribui para o reconhecimento — e o ponto por onde uma aplicação descuidada pode diluir a marca. É a prioridade do capítulo 25.


Para o usuário — fechamento

Este capítulo consolidou a identidade visual já materializada e em produção. O que segue voltou para você.

Mapa de execução — o que cada capítulo seguinte fecha

Este é um capítulo estratégico. A execução em nível de pixel é dos próximos: 20 registra a direção em moodboards; 21 formaliza o sistema de logotipo e símbolos; 22 consolida a paleta V-B completa; 23 fecha o conjunto tipográfico (incluindo a questão do trio); 24 especifica os grafismos; 25 define a direção de imagem; 26 consolida tudo no manual visual operacional.

Decisões a ratificar — propostas que o corpus não fechou

  1. A tecla como assinatura visual proprietária. Proponho promovê-la, formalmente, a sinal de marca ao lado do logotipo (§19.2). Ratificar — o capítulo 21/24 especifica.
  2. A gramática tipográfica é dupla ou trio? Há divergência entre a régua canônica (visual-language.md §4.4 — pareamento sans + serif, mono excluída) e a matéria materializada (tokens.css declara e usa Martian Mono). Decidir se o sistema é oficialmente sans + serif, ou sans + serif + mono. O capítulo 23 fecha (§19.3).
  3. A leitura "assinatura manuscrita" do wordmark. Tratei a natureza cursiva do logotipo como racional de marca (eco da automação ingênua). É proposta de leitura — ratificar como racional oficial; o capítulo 21 formaliza (§19.2).
  4. Kit de ícones proprietário. Proponho criar um kit pequeno e fechado pós-PoC; hoje os ícones são contextuais. Ratificar a estratégia, escopo e timing (§19.7).
  5. Direção de imagem — fotografia (§19.6). A subseção de fotografia é integralmente proposta, derivada dos atributos de marca. Ratificar a direção, ou redirecioná-la, antes de o capítulo 25 detalhar.

Lacunas — dependem de dado ou input do PO

  1. Direção fotográfica. Não há, no corpus, nenhuma régua de fotografia. É o único pilar visual sem fundação vigente — só pode ser fechado com input do PO e no capítulo 25. Até lá, fotografia não deve ir ao ar como superfície de marca.
  2. Cor canônica do logotipo. Os assets estáticos do logotipo usam o cinza #262626; o token de marca ink/primary é #171717. Pequena inconsistência a reconciliar — o capítulo 21 resolve qual é a cor canônica.
  3. A fonte Sarina. Há um arquivo Sarina-Regular.ttf em design-system/assets/fonts/, mas a régua visual-language.md §4.4 excluiu essa cursiva decorativa do escopo. Confirmar se o asset é resíduo a remover ou se há intenção de uso (eventual ligação com o wordmark cursivo — a confirmar).
  4. Paleta V-B completa. O que está materializado é a faixa âmbar/borgonha da tecla; visual-language.md §7 prevê uma família terrosa maior (earth-1..4). A consolidação é do capítulo 22.
  5. Selos de certificação e versão impressa. Não se aplicam ao estágio pré-lançamento. Lacunas de horizonte para os capítulos 26/27.

Perguntas abertas — do método, que o corpus não responde

  1. Profundidade deste capítulo. Tratei o Prompt-19 como diretriz estratégica (é o que o próprio título indica), evitando duplicar o detalhamento dos capítulos 21–26. Confirme se o nível estratégico aqui basta, ou se algum pilar precisava ser fechado já neste capítulo.
  2. O papel do capítulo 20 (Moodboards). Como a identidade visual já está materializada e em produção, o capítulo 20 não tem função exploratória clássica. Confirme se ele vira um registro de referências da identidade vigente (documentar o que há), ou se ainda há espaço de exploração a abrir.
  3. Governança Brand System × Design System. O 00-indice.md posiciona o Design System como módulo dentro do Brand System. Este capítulo 19 (estratégia) e os capítulos 22–26 (execução) descrevem a mesma matéria que o Design System já implementa. Vale uma decisão de governança: a identidade visual canônica passa a ser este capítulo, e o Design System o reflete — ou o Design System permanece a fonte e o capítulo a referencia? Recomendo o primeiro, alinhado à precedência de 00-indice.md.