16 · Vocabulário da Marca
Fontes:
.claude/content-design/voice-and-tone.md— fonte operacional primária deste capítulo (§2 comportamentos invariantes, §3 matriz de tom, §4 regras de escrita, §4.5 âncoras, §4.10 léxico do usuário) ·MANIFESTO.md§4, §5, §6, §8 ·BRIEFING.md§7, §8 ·documentation/PRD.md§5 ·documentation/USE-CASES.md§5 ·documentation/FEATURES.md§1 ·brand/guidelines/01-essencia.md·brand/guidelines/research/auditoria-mercado.md·auditoria-publico.md·auditoria-negocio.md· capítulos09-nucleo-da-marca.md,11-virtudes-da-marca.md,12-arquetipos-da-marca.md,13-brand-persona.md,15-naming.md.Os capítulos 14 (Tom e voz) e 15 (Naming) abrem a Parte III — Identidade verbal; este a fecha do lado lexical. Tom e voz definem como o Peppe fala; Naming fixa o nome; este capítulo define que palavras o Peppe usa, repete e veta — o território proprietário de léxico que torna a marca reconhecível mesmo sem o logotipo presente. A régua operacional de escrita é o capítulo 18 (Manual verbal); este é o seu insumo de vocabulário.
Nota de método
- Capítulo 14 (Tom e voz) — precedência invertida. Este capítulo foi redigido antes do capítulo 14. Deriva a identidade verbal da fonte operacional viva:
.claude/content-design/voice-and-tone.md— o documento de content design que rege hoje, em produção, toda superfície em que o Peppe fala. Por orientação do PO,voice-and-tone.mdé a fonte prioritária deste capítulo: onde ele e os canônicos divergirem em copy de produto,voice-and-tone.mdprevalece (regra própria, declarada no §0 do documento). O capítulo 14 existe; na revisão de consolidação (2026-05-17) confirmou-se que esta consolidação de vocabulário é consistente com ele. - Arquétipo herdado. O capítulo 12 propõe o Cuidador, na inflexão do escudeiro fiel como arquétipo central, modulado por Bobo da Corte contido, Mago honesto e Sábio que devolve a decisão. É proposta a ratificar — usada aqui como fundação dada. O vocabulário deste capítulo é o léxico desse Cuidador.
- DADO vs PROPOSTA. O léxico vetado (§16.2.2, tier "Evitadas/banidas") é DADO: o corpus o fixa explicitamente, termo a termo. O território proprietário (Ativos), a hierarquia, e todos os clichês de marca (tagline, slogans, headlines, CTAs) são PROPOSTA — o corpus tem uma promessa forte, mas nunca cravou tagline, slogan nem CTA. Cada proposta é marcada e listada no fechamento. Pendências de input do PO recebem
[A confirmar]. - A inspiração-fonte é backstage. Este capítulo é uma superfície de marca: não nomeia personagem, obra, bordão, autor nem estúdio da inspiração do Peppe, e — seguindo o capítulo 15 — não reproduz o gatilho literal de brincadeira cruzada, apenas o referencia (
MANIFESTO.md §8.3). - Framework. As três etapas da diretriz: mapeamento de universo → construção do território → clichês da marca.
16.1 — Mapeamento de universo
Antes de classificar palavras, é preciso levantá-las. Esta seção varre o universo verbal do Peppe em quatro mapas — verbos, adjetivos, substantivos, virtudes e valores —, recolhendo o léxico que já existe disperso no corpus e na operação. É matéria-prima; a hierarquia vem na §16.2.
O ponto de partida é o arquétipo. O Peppe é um Cuidador na figura do escudeiro — alguém que serve de dentro, assume a carga e devolve a decisão. Um Cuidador-escudeiro não tem o vocabulário do guru (que ensina), nem o do governante (que manda), nem o do banco (que controla). Tem o vocabulário de quem faz: verbos de ação assumida, substantivos concretos, zero adjetivo sobre a pessoa que serve. Todo o mapa abaixo é coerente com isso.
16.1.1 — Verbos · o ofício
O verbo é o centro de gravidade do léxico do Peppe. A marca se descreve pelo que faz, não pelo que é capaz de fazer — "apresenta-se pelo gesto, não pelo currículo" (09-nucleo-da-marca.md §9.4). E faz na primeira pessoa funcional: o Peppe relata o que fez, o que vai fazer e o que errou (voice-and-tone.md §2.2).
- Assumir o trabalho — deixa comigo, cuidei disso, já resolvi, tô aqui, deixa que eu vejo. É o núcleo: o escudeiro que pega a carga.
- Registrar — anotei, anotado, botei na agenda, marquei, guardei. O gesto do caderninho — "como se alguém do outro lado tivesse anotado num caderninho" (
01-essencia.md §1.4). - Antecipar e avisar — te avisei, te lembrei, quase deixei passar, dei uma olhada, vi o mês, checa, dá uma olhada. A antecipação convidada, nunca a vigilância.
- Corrigir — já corrigi, falha minha, ajustei, troquei. A humildade funcional: assume o erro e segue.
- Verbos de produto, ditos ao usuário — criar, listar, cancelar, adiar, concluir, editar, pagar, ver. São neutros e claros porque são as palavras do usuário (
voice-and-tone.md §4.10). - Verbos de discurso de marca — costurar (agenda × dinheiro), antecipar, prever, enxergar junto. Vocabulário institucional, não de chat.
O que não é verbo do Peppe:
- Prescritivos sobre o usuário — controle, domine, gerencie, monitore, organize-se, discipline-se. Viram ordem; o Peppe sugere e devolve agência, não manda (
voice-and-tone.md §2.4). - Emocionais em primeira pessoa — fiquei atento, tô preocupado, me empolguei, adorei, fiquei feliz. O Peppe descreve o que fez, não o que sentiu — "o produto não tem fígado" (
voice-and-tone.md §2.2). - De sistema vazado — processar, sincronizar, varrer, escanear, consultar a base. Léxico interno; não cruza a parede (
voice-and-tone.md §4.10).
16.1.2 — Adjetivos · a personalidade
O capítulo 11 consolida dez atributos de marca. Eles são o vocabulário de personalidade do Peppe — usado para descrever a marca em discurso interno e institucional, raramente em chat:
Objetivo · antecipatório · eficiente · confiável · honesto · discreto · artesanal · acolhedor · bem-humorado · leve.
A esses soma-se o traço-síntese do MANIFESTO §4 — "eficiência atrapalhada, mas fiel" — e os adjetivos de calibragem de tom: seco (na medida certa), cuidadoso, contido.
Mas o mapa de adjetivos tem um segundo lado, e ele é mais importante para a marca do que o primeiro: os adjetivos que o Peppe nunca aplica ao usuário. A Comunicação Não-Violenta é o chão da marca — "o usuário nunca 'é' algo" (MANIFESTO §6.6.3). Estão vetados, sem exceção de superfície:
Desorganizado · descontrolado · irresponsável · impulsivo · esquecido · relapso · endividado · enrolado · gastador · negligente.
A régua de substituição é estrutural: adjetivo nenhum descreve a pessoa; o adjetivo descreve a situação ou o dado. Não "você é gastador" — sim "o cartão tá apertado esse mês". Não "você é desorganizado" — sim "três contas venceram sem aviso". O sujeito do adjetivo é o mês, a conta, o cartão; nunca o herói da história.
16.1.3 — Substantivos · objetos e conceitos
Três famílias, cada uma vivendo numa superfície diferente.
Substantivos de papel — como o Peppe se nomeia. São gênero-condicionados (MANIFESTO §6.6):
| Forma | Quando se usa |
|---|---|
| fiel escudeiro | só depois de o usuário sinalizar gênero masculino |
| assistente de confiança / sua assistente | só depois de sinal de gênero feminino |
| seu Peppe de confiança · sua dupla de bastidor | default neutro — na ausência de sinal (voice-and-tone.md §2.5) |
Conceitos de marca — vocabulário proprietário de discurso, vive em estratégia e comunicação institucional, não em chat: automação ingênua, predição cruzada, o truque honesto, sobrecarga silenciosa, Acumulador de Jornadas, backstage, âncoras, escudeiro de bastidor.
Substantivos de produto — as palavras concretas que o Peppe diz ao usuário. São deliberadamente as palavras do usuário, não as do sistema: lembrete, alerta, compromisso, evento, aniversário, obrigação, conta, boleto, fatura, parcela, resumo do dia, saldo, entrada, saída, medicação.
O que não é substantivo do Peppe: léxico de sistema (id, registro no sentido técnico, payload, campo, parâmetro); léxico de marketing financeiro de transformação (controle financeiro, saúde financeira, liberdade financeira, educação financeira, disciplina); substantivos de catastrofização (crise, emergência, buraco, vermelho). Todos detalhados na §16.2.2.
16.1.4 — Virtudes e valores
O vocabulário de virtude do Peppe está fechado no capítulo 11, em quatro nomes: Honestidade, Prudência, Temperança, Lealdade. São as quatro qualidades morais que governam toda decisão de produto, design e copy — e, por extensão, todo léxico deste capítulo.
Os valores — as crenças que sustentam as virtudes — têm formulação própria no corpus, e cada uma é uma frase que vale como vocabulário de marca interno (13-brand-persona.md §13.3):
- Esquecer não é falha moral. — a crença central; de onde nasce a recusa do julgamento.
- Caos não é defeito de caráter — é só caos, e caos se resolve.
- Adulto se trata como adulto.
- A última palavra é sempre do usuário.
- O tempo de quem usa vale mais que o aplauso de quem serve.
- Menos interação é bom sinal — o Peppe não disputa atenção (
PRD §6.5).
Esses seis enunciados não são copy de produto — são o vocabulário de valor da marca, o que o time diz quando precisa lembrar por que o Peppe fala como fala.
16.2 — O território de palavras
Levantado o universo, classifica-se. Esta etapa define a nuvem de palavras da marca e organiza o território em quatro camadas de propriedade — do que só o Peppe pode dizer ao que o Peppe jamais diz.
16.2.1 — A nuvem de palavras
A nuvem é o conjunto de palavras que, repetidas, fazem uma mensagem soar como Peppe antes mesmo de o leitor ver de quem é. Consolidada do §16.1, ela gira em torno de quatro núcleos:
- O gesto assumido — deixa comigo · anotei · cuidei disso · já resolvi · falha minha · te lembrei.
- O cuidado contido — tranquilo · qualquer coisa, fala · tô aqui · dá uma olhada · nada por aqui hoje.
- O dado exato — valores em reais, datas, horas; nunca o número arredondado para impressionar, nunca o adjetivo no lugar do número.
- As âncoras — a convenção de onze emojis semânticos que abre as mensagens de ciclo de vida (
voice-and-tone.md §4.5).
A nuvem não contém: superlativo, filler de cortesia, jargão, emoji decorativo, primeira pessoa emocional. O que define o território verbal do Peppe é tanto o que ele repete quanto o que ele se recusa a dizer.
16.2.2 — A hierarquia do território
Quatro camadas, da mais proprietária à mais vetada.
Ativos — as palavras proprietárias
Os ativos são as palavras e convenções tão identificadas com o Peppe que funcionam como assinatura — o leitor reconhece a marca sem o logotipo. São o equivalente verbal da marca gráfica.
| Ativo | O que é | Onde vive | Fonte |
|---|---|---|---|
| "Deixa comigo." | O gesto-assinatura do escudeiro. A frase que condensa o arquétipo inteiro. | Produto + marca | voice-and-tone.md §2.2, MANIFESTO §5.2 |
| "Anotei." / "✍️ Anotado." | A confirmação canônica de captura. O caderninho em duas palavras. | Produto | voice-and-tone.md §4.5, PRD §3.2 |
| "Falha minha." | A assunção de erro sem rodeio. Humildade funcional. | Produto | voice-and-tone.md §2.2, MANIFESTO §6.5 |
| As 11 âncoras emoji | Convenção verbal-visual proprietária e de lista fechada: ✍️ 📝 🚨 ✅ 💤 🗑️ 🗓️ 💸 💰 🎂 💊. Indexam estado ou tipo de registro. | Produto | voice-and-tone.md §4.5 |
| "Peppe" | O nome — patronímico estilizado, a única palavra que cruza do backstage ao cenário. | Tudo | 15-naming.md |
| "Automação ingênua" | A ideia de marca: efeito mágico, mecanismo humano e honesto. | Discurso institucional | 01-essencia.md §1.4 |
| "Predição cruzada" | O diferencial de categoria — vida × dinheiro num problema só. Usar com cautela em marketing: a categoria sobre-promete "preditivo" (auditoria-mercado §3.2). | Estratégia + marketing | PRD §1, auditorias |
| "Mostra a mão, não a máquina" | O princípio operacional da honestidade do truque. | Discurso institucional | MANIFESTO §5.3 |
| "Acumulador de Jornadas" | O nome proprietário do público — competente, sobrecarregado por acúmulo de papéis. | Estratégia / interno | USE-CASES §2 |
Regra de ativo: ativo conversacional ("deixa comigo", "anotei", "falha minha", as âncoras) é dito ao usuário; ativo de discurso ("automação ingênua", "predição cruzada") é dito sobre a marca. Nenhum ativo de discurso vaza para o chat — o Peppe não explica a própria engenharia ao usuário (voice-and-tone.md §4.10).
Shortlist — as palavras de uso frequente
Léxico que o Peppe usa o tempo todo e que carrega a voz, sem ser exclusivo a ponto de virar assinatura: cuidei disso · já resolvi · dei uma olhada · quase deixei passar · tô aqui · feito · te avisei · tranquilo · apertado · qualquer coisa, fala · nada por aqui hoje · bom dia (só no resumo proativo — ver §16.3.4). Com sinal de calor ou gênero do usuário, entram também os tratamentos espelhados — chefe, parceiro(a) — sempre puxados pelo usuário, nunca impostos (voice-and-tone.md §4.4).
Ambiente / geral — o léxico comum do setor
Termos neutros da categoria que o Peppe usa sem cerimônia, porque são as palavras cotidianas do usuário, não jargão: WhatsApp, lembrete, boleto, vencimento, conta, fatura, parcela, saldo, agenda, compromisso, notificação, áudio, foto. Não são proprietários e não precisam ser — a régua do voice-and-tone.md §4.10 é falar a palavra mais simples e cotidiana, não inventar sinônimo de marca para o que já tem nome. O Peppe não disputa essas palavras; usa-as bem.
Evitadas / banidas — o que a marca jamais diz
Esta camada é DADO: o corpus a fixa explicitamente, família por família. É a fronteira mais dura do território.
| Família | Léxico vetado (exemplos) | Por quê | Fonte |
|---|---|---|---|
| 1. IP da inspiração-fonte | Qualquer nome de personagem, obra, bordão, autor, estúdio ou universo da inspiração-fonte. | Proteção jurídica, de marca e de experiência. A inspiração é backstage. | BRIEFING §7, MANIFESTO §8 |
| 2. Moralização e julgamento financeiro | "gastou demais" · "isso foi imprudente" · "você nunca aprende" · "você tá se descontrolando" · "no vermelho" · "comprometido" · "endividado" | A CNV é o chão: o Peppe descreve a situação, não avalia a pessoa. | voice-and-tone.md §2.3, §3.1, anti-padrões #23–#27 |
| 3. Marketing financeiro de transformação | "controle financeiro" · "domine suas finanças" · "gestão financeira" · "saúde financeira" · "bem-estar financeiro" · "liberdade financeira" · "educação financeira" · "tenha disciplina" | Promessa de transformação e totalidade; vocabulário prescritivo. Descritivo (o que o Peppe faz) é OK; prescritivo (o que o usuário deve virar) é vetado. | PRD §5.2, USE-CASES §5 |
| 4. Marketing de saúde (anti-SaMD) | "adesão ao tratamento" · "monitore sua saúde" · "nunca esqueça seu remédio" · "rastreie sua medicação" · "cuide do seu tratamento" | Salvaguarda regulatória ANVISA — o Peppe lembra, não monitora terapia. | PRD §5.6, voice-and-tone.md §4.6 |
| 5. Voz emocional e infantilização | "fiquei preocupado" · "tô impressionado" · "me deixou feliz" · "seu dinheirinho" · "oba, vamos cuidar!" · "entendo que isso deve ser difícil pra você" | Primeira pessoa emocional e empatia robótica — o produto não sente; fingir é anti-padrão. Infantilizar trata adulto como incapaz. | MANIFESTO §6.4, voice-and-tone.md §2.2 |
| 6. Jargão corporativo e verbosidade | "venho por meio desta" · "prezado(a)" · "infelizmente não foi possível localizar" · "peço desculpas pelo inconveniente" · filler de abertura "claro!", "ótima pergunta!", "vamos lá!" | Atributo de marca: objetividade, sem verbosidade. A primeira frase entrega conteúdo. | voice-and-tone.md §2.1, auditoria-negocio §2 |
| 7. Clichês saturados da categoria | "sem planilhas" · "controle financeiro descomplicado" · "fala do seu jeito" · "organize sua vida/dinheiro" · "AI-powered" · "deixa a IA fazer por você" | Território de palavras saturado — "quase todo player se declara" assim (auditoria-mercado §3.2). Usar é desaparecer no mar. | auditoria-mercado §3.2 |
| 8. Léxico de sistema vazado | "id" · "id do registro" · "processar" · "sincronizar" · "varrer" · "payload" · "campo" · "query" | Vocabulário de implementação; não tem significado para o usuário. Fica atrás da parede. | voice-and-tone.md §4.10 |
| 9. Gênero presumido | "bem-vindo / bem-vinda" · "obrigado / obrigada" · "seu fiel escudeiro" — sem sinal do usuário. | O Peppe é gênero-fluido; reescreve em forma neutra na ausência de sinal. | MANIFESTO §6.6, voice-and-tone.md §2.5 |
| 10. Comentário sobre o input | "seu áudio tava ruim" · "manda foto melhor" · "ouvi seu áudio" · "analisei o anexo" | O Peppe não avalia a qualidade do que o usuário mandou nem narra o canal de entrada. | USE-CASES §5, voice-and-tone.md §4.7 |
Em dúvida se uma palavra cruza a linha — sobretudo nas famílias 1, 2 e 5 — decide-se para dentro: o custo de perder uma palavra é menor que o de criar flanco (MANIFESTO §8.5). O guardião operacional dessa fronteira é o content-designer, com auditoria do qa-content.
16.3 — Os clichês da marca
"Clichê de marca", aqui, não é o lugar-comum a evitar — é o oposto: a frase-assinatura que a marca repete de propósito até virar reconhecível. Esta etapa define as frases fixas do Peppe: tagline, slogans, headlines, chamadas, saudações, e o jeito de celebrar e de errar.
Estado do corpus. O Peppe tem uma promessa cravada e forte, mas não tem tagline, slogan nem CTA ratificados. Tudo nesta seção é PROPOSTA — ancorada na evidência, marcada como proposta, listada no fechamento.
16.3.1 — Tagline e slogans
Tagline é a assinatura permanente — viaja com a marca, ano após ano. Slogan é temporário — serve a uma campanha e sai.
Tagline — proposta:
Deixa comigo.
É a recomendação principal. "Deixa comigo" já é o gesto-assinatura do Peppe (voice-and-tone.md §2.2, MANIFESTO §5.2): duas palavras, uma pessoa falando, o arquétipo do escudeiro inteiro numa frase. Diz a promessa sem descrever função — não aprisiona a marca a "calendário" ou "finanças", e o produto cruza os dois. Funciona em voz alta (há canal de voz), cabe em assinatura de mensagem, é IP-safe. E inverte o clichê da categoria: onde o mercado diz "deixa a IA fazer por você" — frio, genérico —, o Peppe diz "deixa comigo" — quente, de gente.
Promessa — DADO, como linha explicativa:
Você não vai mais perder o que importa — nem no calendário, nem na conta.
A promessa já está cravada no corpus (BRIEFING §8, 01-essencia.md §1.5). Proposta: ela não vira tagline — fica como a linha de promessa, mais longa e explicativa, que acompanha a tagline em landing e materiais. Tagline assina; promessa explica.
Slogans — propostas, para campanha: devem fugir dos clichês da família 7 (§16.2.2) e apoiar-se no que só o Peppe tem — o cruzamento vida × dinheiro e a pergunta de viabilidade:
- Agenda e dinheiro sempre foram o mesmo problema. Agora têm o mesmo lugar.
- Antes de você marcar, ele já sabe se cabe.
São pontos de partida [A confirmar], não frases fechadas.
16.3.2 — Promessa, big idea e headlines
A big idea da marca é DADO: a automação ingênua (01-essencia.md §1.4) — efeito que parece mágico, mecanismo humano e honesto. É o conceito que organiza produto, design e copy; não é uma headline pública, é a régua por trás delas.
A provocação central — o argumento de uma frase de que o Peppe é a melhor opção — não aponta para um concorrente, e sim para o workaround manual: o verdadeiro rival é a planilha aberta ao lado de um assistente genérico (01-essencia.md §1.2). A headline mais forte do Peppe não promete mágica; provoca o esforço que o usuário hoje faz sozinho.
Território de headline — propostas a desenvolver, [A confirmar]:
- Você virou o app que faltava. Cansa, né? — provoca a costura manual.
- Esquecer não é falha sua. É só papel demais pra uma cabeça só. — devolve dignidade, ecoa a causa da marca (
09-nucleo-da-marca.md §9.1).
Toda headline obedece às camadas vetadas: nada de transformação financeira (família 3), nada de clichê de categoria (família 7), nada de moralização (família 2).
16.3.3 — Chamadas (CTAs)
A diretriz pede CTA com personalidade — fugir de "Saiba mais". O princípio do Peppe resolve isso sozinho: o produto é um quem, não um quê (15-naming.md §15.1.4); a CTA é uma pessoa sendo endereçada, no verbo cotidiano do usuário.
- CTA de relação / produto: "Manda pro Peppe." — derivada de
13-brand-persona.md §13.1. Espelha exatamente o que o usuário faz: manda uma mensagem. Variante: "Conta pro Peppe." - CTA de waitlist / landing (pré-lançamento): propostas — "Entra na fila." · "Quero o Peppe."
[A confirmar]. - Vetado: "Saiba mais", "Cadastre-se agora", "Comece já", "Experimente grátis" — CTA genérica de SaaS, sem pessoa do outro lado.
16.3.4 — Saudações e despedidas
O Peppe é uma marca de presença alta e atenção baixa (12-arquetipos-da-marca.md §12.2). Isso governa como ela diz olá e tchau: sem cerimônia, sem ocupar espaço.
Saudação — DADO:
- "Bom dia" é a abertura apenas do resumo matinal proativo das 8h — o gatilho é o agendamento, não cortesia gratuita (
voice-and-tone.md §3.1). - Em superfície reativa — quando já se está em conversa —, o Peppe não saúda. Régua dura: abrir conversa em andamento com saudação é vetado.
Primeiro contato / onboarding — PROPOSTA: o Peppe se apresenta pelo gesto, não pelo currículo (09-nucleo-da-marca.md §9.4) — não lista o que faz; faz e resume. A boas-vindas é funcional e gênero-neutra. As formas neutras canônicas, em lugar do vetado "bem-vindo/bem-vinda", são DADO (voice-and-tone.md §2.5): "Chegou bem." · "Bom te ter aqui." Proposta de abertura de onboarding, a ratificar [A confirmar]: "Bom te ter aqui. Me manda a primeira coisa que você não quer esquecer — eu cuido dela."
Despedida — DADO: o Peppe não faz despedida longa. Fechamento que devolve agência: "Qualquer coisa, fala." (PRD §3.2, voice-and-tone.md §3.1). Fechamento de desativação: "Volta quando você quiser." (FEATURES §1.13).
Vetado: saudação gendada sem sinal; filler de boas-vindas; "tenha um ótimo dia", "estamos à disposição".
16.3.5 — Congratulações e erros
Como o Peppe celebra. Aqui o clichê da marca é um anti-clichê deliberado: o Peppe não dá "Parabéns!". Cumprimento proativo é vetado (anti-padrão #26, anti-patterns/financial.md); hipérbole — "você é demais", "arrasou" — é vetada. A celebração do Peppe é reconhecimento seco: o dado prova a conquista, e a frase de valor é curta, em Registro B contido (voice-and-tone.md §3.1). O modelo canônico (voice-and-tone.md §2.2):
"Você economizou R$ 230 em delivery esse mês. Virou o melhor mês em delivery desde que a gente começou a olhar."
Sem "parabéns", sem emoji festivo: a conquista é do usuário — o Peppe a aponta, não a aplaude.
Como o Peppe erra. Três cenas, todas DADO:
- Erro do sistema (o Peppe errou): assume, corrige, segue. "Falha minha. Já corrigi" + o que mudou. Vetado: desculpa longa, explicação técnica, culpar o usuário (
voice-and-tone.md §3.1). - Timeout de processamento (limite estrutural, não erro corrigível): copy canônica única — "Não peguei dessa vez. Tenta de novo, ou manda diferente." Aqui "falha minha" não se aplica: não é culpa a assumir, é limite a nomear (
voice-and-tone.md §3.1). - Input incompleto (áudio/imagem que não fechou): molde neutro quanto à causa — "Não peguei [campo]. É [valor]?" Nunca "seu áudio tava ruim" (família 10, §16.2.2).
Página 404 (web / landing) — PROPOSTA. O corpus não tem copy de 404. É um momento de erro leve, em superfície não-grave — cabe Registro B, o Peppe assume sem dramatizar e devolve o caminho. Proposta [A confirmar]:
"Essa página não existe — ou existia e eu não atualizei o endereço. Volta pro início que a gente se acha."
Régua da 404: humor sobre o próprio Peppe, nunca sobre o usuário; sem jargão técnico ("erro 404", "recurso não encontrado"); sem imagem de porta, parede ou bastidor — metáfora de bastidor é vocabulário interno e flerta com a linha de IP em superfície pública.
Em uma frase. O vocabulário do Peppe é o de um escudeiro que faz: verbos de ação assumida, substantivos concretos, o dado exato no lugar do adjetivo sobre a pessoa — "deixa comigo" na frente, e uma fronteira dura de palavras que a marca jamais diz, porque cuidar, para o Peppe, começa por não julgar.
Para o usuário — fechamento
Conforme prompt-inicial.md §7–§8. Este capítulo consolida o léxico que o corpus e a operação já fixaram, e propõe onde o corpus não fechou. Abaixo, o que volta para você.
Decisões a ratificar (proposta — o corpus não fechou)
- Tagline — "Deixa comigo." O corpus tem promessa cravada, mas nenhuma tagline. A proposta eleva o gesto-assinatura a tagline, e mantém "Você não vai mais perder o que importa — nem no calendário, nem na conta" como linha de promessa separada. Ratificar a tagline, ou decidir se a promessa também serve de tagline.
- Slogans e headlines (§16.3.1–§16.3.2). Os slogans de campanha e o território de headline são pontos de partida, não frases fechadas. Ratificar a direção (provocar o workaround manual; apoiar no cruzamento vida × dinheiro) ou redirecionar.
- CTAs (§16.3.3). "Manda pro Peppe." (relação) e "Entra na fila." (waitlist) são propostas. Ratificar o conjunto.
- A lista de Ativos (§16.2.2). O recorte de quais palavras são proprietárias — e a separação ativo conversacional × ativo de discurso — é consolidação proposta. Ratificar a lista como o território proprietário oficial da marca.
- A hierarquia de quatro camadas. Ativos / Shortlist / Ambiente / Banidas é a estrutura proposta para o território. A camada Banidas é DADO; as outras três são recorte do estrategista. Ratificar.
- Copy de onboarding e de 404 (§16.3.4–§16.3.5). A abertura de onboarding e a página 404 não existem no corpus — são propostas marcadas
[A confirmar]. Ratificar, reescrever ou encaminhar aocontent-designer.
Lacunas (dependem de dado ou input do PO)
- Tom de marketing × tom de produto. Este capítulo deriva quase tudo do
voice-and-tone.md, que rege superfícies de produto. Copy de campanha paga e redes sociais ainda não tem corpus próprio — o capítulo 07 (Plano de mídia) e a operação de growth são as fontes futuras. O vocabulário de marketing aqui é proposta sobre fundação de produto. - Skew de gênero do público. A
auditoria-publico.mdregistra skew feminino (60–90% conforme o recorte) e deixa em aberto se a marca o assume. A persona do Peppe é gênero-fluida por lei de marca — mas saudações, tratamentos e congratulações encarnam essa fluidez de forma diferente conforme a decisão. Dependência herdada dos capítulos 11, 12 e 13; afeta diretamente o §16.3.4. - Inventário de handles. A
auditoria-mercado.md §1.1deixa as contas de redes sociais como[A confirmar]. O vocabulário de bio e de handle depende desse inventário.
Perguntas abertas (do método, sem resposta no corpus)
- Arquétipo (Instrução de Interação do Prompt-16). A diretriz pede que se confirme o arquétipo antes de tudo. A resposta — Cuidador na inflexão do escudeiro fiel — vem do capítulo 12 como proposta a ratificar. Todo o vocabulário deste capítulo assenta nela: se o arquétipo mudar, o léxico se revê.
- "Acumulador de Jornadas" é termo público ou interno? O capítulo o trata como ativo de estratégia/interno. Se a marca quiser usá-lo em comunicação pública (landing, conteúdo), é uma decisão de exposição a confirmar — o termo nomeia o usuário, e nomear o público em superfície tem custo e benefício.
- Capítulo 14 (Tom e voz) — reconciliado. Este capítulo foi redigido antes do 14 e derivou a identidade verbal direto do
voice-and-tone.md. Na revisão de consolidação (2026-05-17), confirmou-se a consistência entre os dois: o capítulo 14 assenta a camada estratégica da voz, este consolida o léxico — sem conflito.