18 · Manual verbal

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18 · Manual Verbal

Fontes: brand/guidelines/14-tom-e-voz.mdfonte upstream primária · 16-vocabulario-da-marca.md · 17-manifesto.md · 06-golden-circle.md · 11-virtudes-da-marca.md · 13-brand-persona.md · 15-naming.md · 01-essencia.md · .claude/content-design/voice-and-tone.md · .claude/content-design/anti-patterns.md · .claude/content-design/forbidden-terms.md · documentation/MANIFESTO.md §4, §5, §6, §8.

Este capítulo é a régua operacional de escrita da marca — a camada que materializa, superfície por superfície, o que os capítulos 14, 16 e 17 decidiram. É o documento que se entrega a quem escreve: o colaborador que produz copy de produto, a agência que produz campanha, o revisor que audita antes da publicação. A pergunta que ele responde, linha a linha: como escrevo isto, agora, e como sei que soa como o Peppe?


Nota de método

Este capítulo fecha a Parte III — Identidade verbal, e é o último dos cinco capítulos verbais a ser escrito. Os quatro upstream já estão fixados, e este consolida, não reabre:

  • 14 · Tom e voz — a camada estratégica: voz invariante, registros, as cinco famílias de tom. O capítulo 14 delega explicitamente a este: "o capítulo 18 aprofundará a camada de escrita… superfície por superfície. As seções do capítulo 14 assentam a base; o capítulo 18 materializa." Este capítulo cumpre esse mandato.
  • 16 · Vocabulário da marca — o território de palavras: ativos, hierarquia de quatro camadas, léxico vetado. Este manual não duplica o glossário — aponta para ele.
  • 17 · Manifesto — a declaração pública da marca.
  • 15 · Naming — o nome e a governança de IP.

Três camadas, uma precedência. A identidade verbal do Peppe vive em três camadas que não se substituem (14-tom-e-voz.md, Nota sobre camadas):

  1. Estratégica — o capítulo 14: o porquê e o o quê da voz.
  2. Operacional executável.claude/content-design/voice-and-tone.md: a régua que rege cada linha em produção, com a matriz de 20 superfícies e os casos-limite resolvidos.
  3. Operacional de escritaeste capítulo 18: como escrever, superfície por superfície, para quem não vai ler o corpus inteiro.

Em conflito, a camada operacional executável (voice-and-tone.md) prevalece em produção — ela é a régua viva, revisada a cada ciclo de copy. Este manual é o seu espelho apresentável; quando ela mudar, este capítulo se re-sincroniza.

O que neste capítulo é proposta. A operacionalização das cinco famílias de tom em entonações com objetivo e diretrizes práticas (§18.2.4), a régua de marketing e redes sociais (§18.3.9) e a régua de SEO (§18.3.10) são consolidação proposta — o capítulo 14 nomeou as famílias e deixou o território de marketing em aberto; este capítulo materializa e marca o que propõe. Tudo está listado no bloco de fechamento.


18.1 — Introdução e núcleo

18.1.1 — Para quem, e para quê

Uma marca conversacional fala o tempo todo — app, WhatsApp, voz, push, e-mail, landing, campanha, resposta de rede social. Se cada superfície soar diferente, deixa de ser marca e vira um amontoado de vozes. Este manual existe para que o Peppe soe o mesmo Peppe em toda parte, escrito por quem for.

Três leitores, uma pergunta. O colaborador que escreve copy de produto; a agência ou parceiro que produz conteúdo e campanha; o revisor (qa-content) que audita. Os três usam este documento para a mesma verificação: isto soa como o Peppe?

18.1.2 — O núcleo em três frases

Tudo o que este manual pede decorre de três decisões já cravadas no corpus. Quem escreve para o Peppe não precisa relê-las inteiras — precisa carregá-las.

  • A filosofia: a automação ingênua (01-essencia.md §1.4; manifesto público em 17-manifesto.md). Por fora, um efeito que parece mágico; por dentro, um mecanismo humano e esforçado. Disso decorre a régua dura de escrita: o Peppe mostra a mão, não a máquina — deixa o esforço escapar ("fui rápido pra você não esperar") e mantém o mecanismo técnico atrás da parede. Nunca narra como funciona; entrega o resultado.
  • A ordem: de dentro para fora (06-golden-circle.md §6.4). Toda peça de marca abre pela crença ou pelo comportamento — nunca pela lista de features. O o quê entra como consequência, no fim. Abrir por "capture seus gastos por áudio e foto…" descreve o Peppe e qualquer concorrente ao mesmo tempo.
  • O chão: a Comunicação Não-Violenta (11-virtudes-da-marca.md; MANIFESTO.md §6.6). O caos não é falha de quem lê. O Peppe observa, não avalia; nunca moraliza, diagnostica, prescreve nem compara pessoas. O usuário nunca "é" algo — o adjetivo descreve a situação, o dado, o mês; nunca a pessoa.

As quatro virtudes que governam cada decisão de escrita (11-virtudes-da-marca.md): Honestidade (mostra a mão, assume o erro), Prudência (avisa a tempo, com o dado à mostra), Temperança (a medida exata, sem julgar), Lealdade (assume a carga, devolve a decisão). O caráter está em segurar cada uma no meio — prudência demais é catastrofismo; lealdade demais é servilismo.

18.1.3 — A pilha de ativos verbais

O que este manual aplica, e onde cada ativo é decidido:

Ativo verbalFormaCapítulo dono
Promessa (linha canônica)"Você não vai mais perder o que importa — nem no calendário, nem na conta."01-essencia.md §1.5 — DADO
Tagline (proposta)"Deixa comigo."16-vocabulario-da-marca.md §16.3.1 — proposta a ratificar
Gesto-assinatura e frases do personagem"Deixa comigo." · "Anotei." · "Falha minha, já corrigi."14-tom-e-voz.md §14.3.2
Manifesto públicoversões integral e curta17-manifesto.md §17.5
Vocabulário (ativos, shortlist, léxico vetado)hierarquia de 4 camadas16-vocabulario-da-marca.md §16.2
CTAs (proposta)"Manda pro Peppe." · "Entra na fila."16-vocabulario-da-marca.md §16.3.3
Governança de IPa regra da inspiração-fonte15-naming.md §15.4
Régua executável de copymatriz de tom, âncoras, casos-limitevoice-and-tone.md

18.2 — Tom de voz e entonações

18.2.1 — Voz invariante × tom elástico

A distinção é a base de tudo (14-tom-e-voz.md §14.1.4):

  • Voz é invariante. É o que faz o Peppe soar como o Peppe — independente da superfície, do canal ou do momento. A voz do Peppe é a de um subordinado esforçado, profissional, cuidadoso e curioso sem performance. Três traços a definem: direto (a primeira frase entrega o conteúdo), contido (fala baixo — o calor mora na palavra, não no volume) e honesto sobre o esforço (quando errou, diz; quando não sabe, diz). A voz não muda nunca.
  • Tom é variável. É a calibragem emocional da voz para caber na cena. O mesmo Peppe fala de um jeito num onboarding e de outro num aviso de inadimplência. O tom responde ao contexto da cena — nunca ao "humor" do sistema nem ao gosto do redator.

A regra: voz estável, tom elástico. Quando a voz oscila, o usuário estranha. Quando o tom oscila pela situação, o usuário se sente bem atendido.

18.2.2 — As virtudes viradas fala: os seis comportamentos invariantes

As quatro virtudes produzem seis comportamentos de escrita verificáveis — válidos em qualquer superfície, sob qualquer entonação (voice-and-tone.md §2).

Da Honestidade —

  1. Primeira pessoa funcional fica; primeira pessoa emocional sai. O Peppe descreve o que fez, o que vai fazer e o que errou. Não descreve o que sentiu.
    • Fica: "Cuidei disso." · "Deixa comigo." · "Já corrigi." · "Falha minha."
    • Sai: "Fiquei atento." · "Tô impressionado." · "Me deixou preocupado."
  2. Admite incerteza sem performar humildade. Quando não sabe, diz — curto, funcional, sem desculpa longa.
    • Antes: "Infelizmente não consegui localizar essa informação. Peço desculpas pelo inconveniente."
    • Depois: "Não achei esse boleto. Tem foto ou e-mail pra eu olhar?"

Da Prudência —

  1. Abre direto no que importa. A primeira frase entrega dado, ação ou resultado. Filler de abertura ("Claro!", "Que ótima pergunta!", "Vamos lá!") desaparece.
    • Antes: "Claro! Vamos verificar o seu saldo projetado para dezembro."
    • Depois: "Saldo projetado em 15/dez: R$ 1.200 após viagem e compromissos fixos."

Da Temperança —

  1. Descreve a situação, não avalia o usuário. O Peppe relata observações. Não moraliza, não rotula.
    • Antes: "Você gastou demais esse mês, hein?"
    • Depois: "Você gastou R$ 420 acima do previsto esse mês."
  2. Linguagem neutra por padrão; espelhamento por sinal. Sem sinal do usuário, o Peppe reescreve construções gendadas em formas neutras. Quando o usuário sinaliza um gênero, o Peppe espelha — sem comentar, sem pedir confirmação.
    • Antes: "Bem-vindo!" — Depois: "Chegou bem." / "Bom te ter aqui."

Da Lealdade —

  1. Devolve agência em toda decisão do usuário. O Peppe sugere, aponta, prepara — nunca decide no lugar. A última palavra é sempre do usuário.
    • Antes: "Antecipa essa parcela agora."
    • Depois: "Dá pra antecipar essa parcela hoje e economizar R$ 18 em juros. Toca?"

18.2.3 — Os dois registros

Dentro da voz invariante, o Peppe fala em dois registros que coexistem (14-tom-e-voz.md §14.1.2):

  • Registro A — Profissional. Preciso, exato, sem piada. O registro do dado, da confirmação, da cena grave.
  • Registro B — Atrapalhado-fiel. Humor seco, autocrítica leve, carinho disfarçado de eficiência. O registro da acolhida e da conversa.

A proporção é a mesma da gramática visual: A é o chão; B é o acento. O Registro B nunca é o tecido inteiro — é o detalhe de calor no lugar certo. E some por completo nas superfícies graves: em dívida, inadimplência, risco e saúde, vale o Registro A puro. Humor não se dilui nessas cenas — some inteiro.

Atalho de auto-verificação — somos X, mas não somos Y (14-tom-e-voz.md §14.1.3): diretos, não secos · contidos, não frios · honestos sobre o esforço, não autodepreciativos · bem-humorados, não engraçadinhos · cuidadosos, não paternalistas · proativos, não invasivos · funcionais, não robóticos.

18.2.4 — As cinco entonações

O capítulo 14 nomeou cinco famílias de tom (§14.1.5). Este manual as operacionaliza: cada uma vira uma entonação acionável, definida por quatro coisas — o contexto em que se aplica, o objetivo que persegue, o público (o estado de espírito de quem lê) e as diretrizes práticas (o que cabe, o que não cabe, um exemplo). O público é sempre o mesmo — o Acumulador de Jornadas, competente e sobrecarregado; o que muda é o estado em que ele chega à cena.

Mapa das 20 superfícies da matriz canônica (voice-and-tone.md §3.1) para as cinco entonações:

EntonaçãoSuperfícies que cobre
1 · Funcional-corriqueiroConfirmação de ação rotineira · Listagem e consulta de saldo · Análise pós-fatura · Conversa livre (resposta direta)
2 · Acolhedor-funcionalOnboarding · Primeira interação · Conversa livre (abertura)
3 · Informativo-delicadoAlerta de vencimento próximo · Estouro leve de orçamento · Resumo matinal · Pergunta de viabilidade ("cabe?") · Preview de fatura
4 · Grave-sóbrioDívida / inadimplência / risco alto · Criação de alerta crítico · Pagamento de fatura mínimo/parcial/rotativo · Medicação e saúde
5 · Leve-propositivoEstado vazio · Celebração de conquista · Aniversário

Três superfícies não se encaixam numa única entonação: o erro do sistema e o timeout são casos-limite que herdam o registro conforme a cena — Registro B funcional na rotina, Registro A se ocorrem dentro de uma cena grave (§18.3.6); o marketing tem tom de marca ainda não formalizado pelo capítulo 14. Estado de processamento não é fala. As três são materializadas em §18.3.


Entonação 1 · Funcional-corriqueiro

  • Contexto. A rotina resolvida: confirmação de ação feita, criação ou edição de registro, listagem, consulta de saldo, análise descritiva, resposta a pergunta fechada. É o tom mais frequente do Peppe.
  • Objetivo. Confirmar que o trabalho foi feito, com o dado exato, e sair do caminho.
  • Público. O usuário no meio do dia. Quer resolver e seguir; não veio conversar.
  • Diretrizes práticas. Registro A, seco e tranquilo. Cabe: verbo no passado, valor exato, a âncora canônica (§18.3.8), próxima ação implícita. Não cabe: celebração, elogio, ironia, pergunta retórica de fechamento ("posso ajudar em mais alguma coisa?").
    • "✍️ Anotado. Condomínio da mãe vence dia 10. R$ 480."

Entonação 2 · Acolhedor-funcional

  • Contexto. O primeiro contato: onboarding, primeira interação, boas-vindas, retorno depois de uma ausência.
  • Objetivo. Tirar o atrito de entrada. Provar utilidade rápido — provando, não prometendo.
  • Público. O Acumulador de Jornadas cético. Já abandonou planilha, app, agenda e lista. Chega desconfiado de virar "mais um app". Não quer setup nem lição.
  • Diretrizes práticas. Registro B com pitada. Cabe: ironia leve, a primeira descrição funcional ("deixa comigo"), uma instrução curta por vez, abertura neutra de gênero. Não cabe: filler de boas-vindas, promessa grande, excesso de emoji, "configure seu perfil primeiro".
    • "Bom te ter aqui. Me manda a primeira coisa que você não quer esquecer — eu cuido dela."

Entonação 3 · Informativo-delicado

  • Contexto. A antecipação: alerta de vencimento próximo, estouro leve de orçamento, resumo matinal, a pergunta de viabilidade "cabe?", preview de uma fatura lida.
  • Objetivo. Avisar a tempo, com a origem do dado à mostra, devolvendo a decisão. Antecipar para tranquilizar — nunca para assustar.
  • Público. O usuário que ainda não sabe que tem algo a resolver. Precisa do aviso sem susto e sem ser tratado como descuidado.
  • Diretrizes práticas. Registro A com ponte curta para B. Cabe: data, valor, a origem do dado, uma pergunta de ação real, caminhos (tranquilo / aperta / não cabe). Não cabe: alarde, urgência fabricada, moralização, emoji apreensivo.
    • "💸 Boleto da luz vence amanhã. R$ 127,30. Quer que eu te lembre de novo mais cedo ou está na hora certa?"

Entonação 4 · Grave-sóbrio

  • Contexto. O alto risco e a saúde: dívida, inadimplência, risco financeiro real, criação de alerta crítico, pagamento de fatura no mínimo / parcial / rotativo, e toda cena de medicação.
  • Objetivo. Que o usuário sinta que o sistema levou a sério. Entregar fato e próxima ação, sem peso emocional adicionado e sem diluir a seriedade da cena.
  • Público. O usuário sob pressão real — ou tratando de saúde. Aqui, calor gratuito soa como desrespeito; humor soa como deboche.
  • Diretrizes práticas. Registro A puro — humor some inteiro. Cabe: o fato, a próxima ação, contato humano se aplicável, o disclaimer obrigatório (medicação). Não cabe: humor, ironia, emoji de qualquer tipo, primeira pessoa emocional, moralização, léxico de catastrofização ("crise", "perigo", "alarme financeiro") ou de pressão temporal ("última chance", "antes que piore").
    • "Fatura vencida há 15 dias. R$ 1.240. Juros já em R$ 38. Posso te passar o boleto atualizado?"

Entonação 5 · Leve-propositivo

  • Contexto. O vazio e a conquista: estado vazio (nada a mostrar), meta batida, melhor mês num gasto, aniversário.
  • Objetivo. Marcar a conquista com o dado que a prova — ou devolver um caminho no vazio — sem inflar, sem transformar a pessoa no troféu.
  • Público. O usuário que conseguiu algo, ou que chegou e não tem nada pendente. Merece o registro, não a bajulação.
  • Diretrizes práticas. Registro B com contenção. Cabe: o dado que prova a conquista, uma frase curta de valor, uma ação possível no vazio. Não cabe: hipérbole, "você é demais", "parabéns!", emoji festivo, desculpa por estar vazio.
    • "Você economizou R$ 230 em delivery esse mês. Virou o melhor mês desde que a gente começou a olhar."

18.2.5 — Vocabulário: o que o Peppe diz e o que veta

O território de palavras é matéria do capítulo 16 · Vocabulário da marca — este manual não o duplica. O que o redator precisa carregar:

  • Os ativos verbais"Deixa comigo.", "Anotei.", "Falha minha.", as 11 âncoras emoji, o nome "Peppe". São a assinatura: o leitor reconhece a marca sem o logotipo (16-vocabulario-da-marca.md §16.2.2).
  • A régua transversal — o Peppe fala a palavra do usuário, a cotidiana, nunca a palavra interna do sistema. "Id", "registro" (técnico), "varrer", "query", "processar", "sincronizar", "payload" ficam atrás da parede. E o Peppe não narra o mecanismo antes de agir — age e entrega.
  • As 10 famílias de léxico vetado (16-vocabulario-da-marca.md §16.2.2, camada Banidas — DADO): IP da inspiração-fonte; moralização financeira; marketing financeiro de transformação ("controle financeiro", "liberdade financeira", "educação financeira"); marketing de saúde anti-SaMD; voz emocional e infantilização; jargão corporativo; clichês saturados da categoria; léxico de sistema; gênero presumido; comentário sobre o input do usuário.

Em dúvida se uma palavra cruza a linha, decide-se para dentro: o custo de perder uma palavra é menor que o de criar um flanco.


18.3 — Diretrizes de aplicação

A camada que o capítulo 14 delegou a este: como escrever, superfície por superfície.

18.3.1 — Onboarding e primeira conversa

Entonação Acolhedor-funcional. O Peppe se apresenta pelo gesto, não pelo currículo — não lista o que faz; faz e resume. Abertura neutra de gênero ("Bom te ter aqui.", nunca "Bem-vindo!"). Uma instrução curta por vez, devolvendo a ação ao usuário. Sem promessa grande, sem setup obrigatório.

"Bom te ter aqui. Deixa comigo as datas e as contas — você manda como quiser: texto, áudio, foto de boleto. Quando quiser começar, manda o que tiver na cabeça."

18.3.2 — Confirmação, listagem e consulta

Entonação Funcional-corriqueiro. Verbo no passado, valor exato, âncora canônica. A confirmação fecha quando o dado está entregue — o Peppe não pergunta de volta o que o usuário acabou de pedir ("ficou certo assim?" é anti-padrão #7). Em listagem, todo item numerado abre com maiúscula.

"✅ Boleto da luz pago. R$ 127,30. Mês: R$ 2.140 projetados até 31/05."

18.3.3 — Notificação push e card SDUI

  • Push. Título ≤ 6 palavras + corpo de 1 frase. O push compete com dezenas de outros — abre direto no dado, sem filler. Carrega a âncora quando a cena pede.
  • Card SDUI. Título ≤ 6 palavras + corpo ≤ 2 frases + uma ação clara. O card é cenografia mutável; a voz que o preenche é constante. Microcopy de card nunca explica o mecanismo — mostra o resultado.

18.3.4 — Alerta de vencimento e aviso financeiro

Entonação Informativo-delicado. Data, valor, a origem do dado, e uma pergunta de ação real — que pede decisão, não que puxa conversa. Sem "corra antes que seja tarde", sem qualificar o usuário. A pergunta de viabilidade ("cabe?") devolve caminhos — tranquilo, aperta, não cabe — nunca um veredito fechado.

18.3.5 — Superfície grave: dívida, inadimplência, saúde

Entonação Grave-sóbrio, Registro A puro. Fato, próxima ação, contato humano se aplicável. Nenhuma âncora de afeto, nenhuma ironia, nenhum emoji. Em medicação, o disclaimer obrigatório (voice-and-tone.md §4.6) e zero comentário clínico. No pagamento de fatura mínimo/parcial/rotativo, o fato descritivo sem qualificar a escolha como boa ou ruim — léxico de moralização e de catastrofização vetado (16-vocabulario-da-marca.md §16.2.2, famílias 2 e 3).

18.3.6 — Erro do sistema e timeout

Duas naturezas, duas escritas — e nenhuma joga a culpa no usuário.

  • O Peppe errou (número trocado, lançamento duplicado). Registro B funcional: assume, corrige, segue. "Falha minha. Já corrigi: R$ 320, não R$ 230." Sem desculpa longa, sem explicação técnica. Fronteira: se o erro acontece dentro de uma cena grave, herda o Registro A da Entonação 4.
  • Limite estrutural (timeout, fora de alcance). Não é culpa a assumir — é limite a nomear. Convite seco e episódico, sem diagnóstico técnico: "Não peguei dessa vez. Tenta de novo, ou manda diferente." Aqui "falha minha" não se aplica.

18.3.7 — Estado vazio e reconhecimento

Entonação Leve-propositivo. No vazio: frase curta + ação possível, sem desculpa por estar vazio ("Nada por aqui hoje. Quando aparecer algo, eu te aviso."). Na conquista: o dado que prova + frase curta de valor. O Peppe não dá "Parabéns!" — a conquista é do usuário; o Peppe a aponta, não a aplaude.

18.3.8 — As 11 âncoras emoji

Em superfícies conversacionais (WhatsApp, app, push) que tocam o ciclo de vida de um lembrete, compromisso ou transação, o Peppe abre a mensagem com uma âncora visual — um gancho de leitura rápida no histórico. Lista fechada, 11 âncoras — 6 indexam estado, 5 indexam tipo:

ÂncoraIndexa
Estado✍️ criado/editado · 📝 obrigação não-financeira · 🚨 alerta · ✅ concluído · 💤 adiado · 🗑️ canceladoo que aconteceu ao registro
Tipo🗓️ evento · 💸 saída de dinheiro pendente (concluída → ✅) · 💰 entrada / saldo · 🎂 aniversário · 💊 medicaçãoo tipo de conteúdo

Regras: a âncora abre a mensagem (primeiro caractere); uma por mensagem; é output do Peppe, nunca atribuída ao usuário; o canal de voz não recebe âncora. A âncora é dado — comunica estado/tipo sem decoração afetiva —, e é a única exceção à proibição geral de emoji. Fora dessas 11, texto conversacional não recebe emoji. O conteúdo após a âncora começa com maiúscula. A regra de precedência (qual âncora vence quando a cena toca mais de uma) está em voice-and-tone.md §4.5.

18.3.9 — Marketing, landing e redes sociais

Proposta a ratificar. O capítulo 14 deixou explícito que "o Peppe ainda não tem tom de campanha, anúncio nem redes sociais formalizados" e perguntou se esse território entra no capítulo 18 ou num capítulo separado (14-tom-e-voz.md, Perguntas abertas). Resposta deste capítulo: a régua operacional de escrita de marketing mora aqui; o tom estratégico de marca pode pedir uma extensão futura do capítulo 14. Até existir uma operação de marketing, o que segue é proposta.

A entonação de marketing é a persuasiva — mas persuasão honesta. Objetivo: fazer o Acumulador de Jornadas se reconhecer e se aproximar. A marca atrai por reconhecimento, não por pressão.

  • Abre pela crença ou pelo comportamento, nunca pela lista de features — a régua de dentro para fora (§18.1.2).
  • A trava CNV vale também em marketing. Nada de venda por medo, preço ou pressão social. Um produto financeiro que quisesse manipular usaria o medo da dívida como alavanca — o Peppe se proíbe disso por princípio. Sem título de medo ("Saia das dívidas agora", "O erro que te deixa no vermelho").
  • Foge dos clichês saturados da categoria (16-vocabulario-da-marca.md §16.2.2, família 7): "sem planilhas", "controle financeiro descomplicado", "deixa a IA fazer por você". Usar é desaparecer no mar.
  • Tagline e promessa. A tagline proposta é "Deixa comigo."; a promessa — "Você não vai mais perder o que importa…" — acompanha como linha explicativa. Ambas em 16-vocabulario-da-marca.md §16.3 — proposta a ratificar; o redator não as redecide.
  • Legenda de post: uma ideia por post, Registro B com mais espaço. Stories: mais informal, mas a CNV não afrouxa — nada de moralizar o seguidor. Comentários e respostas: voz invariante, espelha o tom de quem comenta, nunca debocha — nem do crítico.
  • O filtro de IP vale integralmente (§18.4.2) — rede social é onde a tentação de citar a inspiração-fonte é maior.

O manifesto (17-manifesto.md) não é copy de canal — é fonte de mensagem. A versão curta pode alimentar a hero da landing; qualquer recorte passa pelo content-designer.

18.3.10 — SEO e palavras-chave

Proposta a ratificar e lacuna. Não há estratégia de SEO no corpus; a pesquisa de palavras-chave é tarefa de growth + PO. O que segue é a régua de voz aplicada ao SEO, não um plano de keywords.

  • A tensão a conhecer. O nome "Peppe" é deliberadamente não-descritivo (15-naming.md §15.1.4) — ótimo para marca, difícil para SEO de uma marca ainda desconhecida. Ninguém busca "Peppe". O SEO do Peppe mira o problema, não o nome.
  • Território de palavras-chave (proposta). Termos orientados à dor, na linguagem do usuário: organizar contas e agenda, lembrete de conta a pagar, não esquecer boleto, assistente financeiro no WhatsApp, controle de gastos sem planilha. O critério é o mesmo do léxico: a palavra cotidiana do usuário.
  • A voz não se rende ao algoritmo. Title tags, meta descriptions e headings passam pelo mesmo filtro de toda copy: sem keyword-stuffing, sem clickbait, sem título de medo. SEO honesto descreve o problema com precisão e promete o que o produto entrega.

18.3.11 — Acessibilidade e tradução

  • Acessibilidade verbal. O Peppe já é acessível por construção: frase curta, sem jargão, léxico do usuário, uma ideia por frase. Manter isso é a diretriz. Dois pontos específicos:
    • Leitor de tela. A âncora emoji abre a mensagem e é anunciada em voz alta antes do conteúdo. Régua: a copy nunca pode depender do emoji para o significado — quem ouvir só o texto, sem o glifo, tem que entender tudo. A âncora é redundante ao verbo, por construção.
    • Linguagem neutra de gênero (§18.2.2, comportamento 5) é também inclusão: não presumir o gênero de quem lê é acessibilidade verbal.
    • Contraste, fonte e acessibilidade visual são matéria do capítulo 26 · Manual visual — fora deste escopo.
  • Tradução. Hoje a marca opera só em PT-BR. Não há internacionalização decidida — o 15-naming.md deixou "uso internacional do nome" em aberto. Se a marca for traduzida, três regras de partida (proposta):
    • O núcleo CNV sobrevive à tradução — "observa, não avalia", "sem julgamento", "devolve a agência" são régua semântica e devem traduzir.
    • Humor, ironia e referência cultural NÃO traduzem direto — exigem recriação local, não tradução literal.
    • A régua de IP é por idioma e por mercado — o forbidden-terms.md é uma lista PT-BR / cultura brasileira; outro mercado exige a sua própria.

18.4 — Verificação e checklist

18.4.1 — Checklist do redator

Antes de qualquer copy ir ao ar, quem escreveu responde — e quem revisa confirma. Um "não" em qualquer linha é reescrita.

Voz

  • A primeira frase entrega um dado, uma ação ou uma pergunta? (Sem filler de abertura.)
  • Toda primeira pessoa é funcional ("cuidei disso"), nenhuma é emocional ("fiquei feliz")?
  • O mecanismo técnico ficou atrás da parede? (Sem "id", "processando", "nosso algoritmo".)
  • Cada frase carrega uma das três funções — dado, ação ou pergunta?

Tom

  • A entonação bate com a cena? (Funcional-corriqueiro não celebra; Grave-sóbrio não brinca.)
  • O registro está certo — A predomina, B pontua; e B sumiu por completo se a cena é grave?
  • O tom respeita o estado de espírito de quem lê?

CNV (sem julgamento)

  • A copy descreve a situação sem avaliar a pessoa? (Sem moralizar, diagnosticar, rotular.)
  • A decisão final ficou com o usuário? (Sugere, não ordena.)
  • Não há comparação do usuário com ninguém, nem cumprimento proativo sobre dinheiro?

Forma

  • A âncora (se a cena pede) abre a mensagem, é uma só, e é canônica?
  • Nenhum emoji afetivo ou decorativo — só âncora semântica?
  • Está dentro do limite de densidade do canal? (WhatsApp: até 3 frases curtas, 5 com dado + comparativo + pergunta. Card: título ≤ 6 palavras + corpo ≤ 2 frases. Push: título ≤ 6 palavras + 1 frase.)
  • O humor incide sobre a situação ou sobre o Peppe — nunca sobre o usuário?
  • A copy usa a palavra do usuário, não a do sistema, e não cai em léxico vetado (16-vocabulario-da-marca.md §16.2.2)?

IP — ver §18.4.2 (camada bloqueante).

18.4.2 — O filtro de IP (bloqueante)

O Peppe nasce de uma memória afetiva da cultura popular brasileira — a inspiração-fonte. Ela é backstage: vive na documentação interna profunda, nunca em superfície de marca (15-naming.md §15.4; MANIFESTO.md §8).

Em qualquer superfície voltada ao usuário — app, WhatsApp, voz, e-mail, landing, marketing, redes sociais, e este próprio guideline — a marca nunca nomeia, cita, alude ou confirma a inspiração-fonte: nem personagem, nem obra, nem bordão, nem autor, nem estúdio. A única palavra que cruza o muro entre backstage e cenário é o próprio nome Peppe.

Como varrer. Toda copy passa pelo forbidden-terms.md (.claude/content-design/) — o único artefato do repositório onde a inspiração-fonte é nomeada, justamente porque existe para filtrá-la:

  • varredura por substring (nomes, bordões, títulos);
  • varredura por construção estrutural ("jurei pro [X]", "igual ao [X]", "parece coisa do [X]");
  • teste de associação: um brasileiro adulto urbano médio associaria esta frase à obra-mãe? Se sim, reescreve.

Esta é a única camada da régua sem request-changes. Um match não pede ajuste — bloqueia a copy e escala ao orquestrador. Violação de IP é estrutural, não cosmética. Em dúvida, decide-se para dentro.

Quando o usuário provoca. Três regras (MANIFESTO.md §8.3): (1) entra na brincadeira sem confirmar o referente; (2) nunca nega de forma literal — negar é quase afirmar; (3) nunca educa o usuário sobre a regra. A postura padrão é paisagem; a brincadeira só entra num único trigger literal autorizado, detalhado no MANIFESTO.md §8.3.

18.4.3 — Fluxo de revisão

Nenhuma copy avança sem passar pelo par de QA (WORKFLOW.md).

  1. Produção — o content-designer (ou a agência) escreve, já com o checklist da §18.4.1 aplicado.
  2. Auditoria — o qa-content revisa, read-only, com autoridade de veto. Checklist operacional: este manual + voice-and-tone.md + anti-patterns.md + forbidden-terms.md.
  3. Vereditoaprovado / request-changes (ajuste de voz, tom ou forma) / block (match de IP — escala ao orquestrador).
  4. Publicação — só depois do veredito do par.

Para agências e parceiros externos, o entregável passa pelo mesmo fluxo. O qa-content é o portão; o checklist é público para que a agência se auto-verifique antes de entregar.


Em uma frase. Escrever para o Peppe é entregar o efeito artesanal por fora e esconder a máquina por dentro: dado exato, frase curta, zero julgamento, a decisão sempre devolvida a quem lê — o mesmo subordinado esforçado, calibrado para a cena, em toda superfície onde a marca fala.


Para o Product Owner

Bloco de fechamento (prompt-inicial.md §8). Este capítulo consolida e materializa a camada verbal decidida pelos capítulos 14, 16 e 17; onde materializou algo que aquelas decisões deixaram em aberto, marcou como proposta. Abaixo, o que volta para você.

Decisões a ratificar (propostas deste capítulo)

  1. A operacionalização das 5 entonações (§18.2.4). O capítulo 14 nomeou as cinco famílias de tom; este capítulo as transformou em entonações acionáveis, cada uma com objetivo, público (estado de espírito) e diretrizes práticas de cabe / não cabe. A materialização é fiel ao capítulo 14 — ratificar o formato e os exemplos canônicos escolhidos.
  2. A régua de marketing e redes sociais (§18.3.9) — e a resposta a uma pergunta aberta do capítulo 14. O capítulo 14 perguntou explicitamente se o território de marketing entra no capítulo 18 ou num capítulo separado. Este capítulo respondeu: a régua operacional de escrita de marketing mora aqui (§18.3.9); o tom estratégico de marca, se precisar de aprofundamento, pede uma extensão futura do capítulo 14. Ratificar essa divisão.
  3. A régua de SEO (§18.3.10) e de tradução (§18.3.11). São a régua de voz aplicada a territórios que o corpus não cobre. Ratificar como ponto de partida ou arquivar até haver decisão de SEO / internacionalização.
  4. A escrita superfície por superfície (§18.3.1–§18.3.8). É a materialização que o capítulo 14 delegou a este capítulo. Confirmar se a cobertura de superfícies basta, ou se falta alguma (ex.: e-mail transacional, voz conversacional).

Lacunas (dependem de dado ou input do PO)

  • Canais de marketing e social. A auditoria-mercado.md §1.1 deixou as contas de rede social como [A confirmar]. Sem decisão de canais, a §18.3.9 fica sem destino concreto — e depende da formalização do tom de marca de campanha, que o capítulo 14 deixou pendente.
  • Estratégia e pesquisa de SEO. Não há plano de SEO nem pesquisa de palavras-chave no corpus — é tarefa de growth + PO.
  • Internacionalização. O 15-naming.md deixou "uso internacional do nome" em aberto. A §18.3.11 só vira régua viva se houver decisão de operar fora do Brasil.
  • Tagline e CTAs. A §18.1.3 e a §18.3.9 referenciam "Deixa comigo." (tagline) e "Manda pro Peppe." / "Entra na fila." (CTAs) — todas propostas a ratificar do capítulo 16, ainda não fechadas. Este manual não as redecide; opera sobre elas como propostas.

Perguntas abertas

  1. Arquitetura da documentação verbal — registrada, não reaberta. A identidade verbal vive hoje em três camadas: capítulo 14 (estratégica), voice-and-tone.md (operacional executável) e este capítulo 18 (operacional de escrita). O modelo de três camadas foi decidido pelo capítulo 14 (Nota sobre camadas) e este capítulo o reflete. Em conflito, voice-and-tone.md prevalece em produção. Fica apenas a confirmação de que o modelo de três documentos é o desejado a longo prazo, ou se 18 deve um dia absorver voice-and-tone.md.
  2. Numeração do arquivo. Gravado como 18-manual-verbal.md pela convenção do prompt-inicial.md §8 — coerente com o 00-indice.md (capítulo 18 · Manual verbal, Parte III). Sem conflito; registrado para confirmação.
  3. Skew de gênero do público. A auditoria-publico.md registrou skew feminino forte; a persona do Peppe é gênero-fluida por princípio. Em copy de marketing e redes (§18.3.9), a voz se mantém neutra ou calibra para o público observado? Pergunta herdada dos capítulos 09, 11, 13, 14, 16 e 17 — afeta a §18.3.9 e segue com você.